Uma
revolução é possível? E o futebol é realmente brasileiro?
Começo
por pedir desculpas aos jornalistas, radialistas ou cronistas
esportivos por começar com uma crítica, em maior ou menor grau, e
não é específica.
Mas
não é possível que a imprensa esportiva, principalmente a paulista
e carioca não consiga perceber que o Brasil é maior que Rio e São
Paulo. Que há futebol em todo país.
Falo
porque, independente do programa, estação ou veículo, parece que o
Brasil se resume a série A ou aos times de Rio e São Paulo. Claro
que com algumas exceções. Só para confirmar a regra.
Lamento,
mas quando vocês estão em rede nacional, deveriam ter em conta este
detalhe. E quando falar do futebol do NO, NE e CO, falar com
seriedade, porque, palhaçada por palhaçada, temos de norte a sul
deste País circense.
Existe
um ditado que diz: “nenhuma corrente é mais forte que seu elo mais
fraco”. Acho graça quando escuto cronistas falando que o “futebol
brasileiro” está contratando grandes jogadores internacionais.
Kkkkkkkk. Realmente o “futebol brasileiro” está bem.
Queria
que os cronistas esportivos, que enxergam apenas 12 times de futebol
no Brasil, explicassem o que eles entendem como definição de
futebol profissional.
Seria
40 times jogando o ano todo e a grande maioria jogando apenas 2 ou 3
meses? É isso que eles chamam de calendário do “futebol
brasileiro”?
Realmente
é um calendário do FUTEBOL BRASILEIRO.
Defendem
o fim dos estaduais.
Pergunto:
será que eles imaginam que eu, cearense “da gema”, nascido e
criado por aqui, vou torcer por um time do sul maravilha?
Acreditam
mesmo que vou comprar a camisa do Fluminense ou São Paulo? Acreditam
que vou levar meu filho para o estádio apenas para assistir ao jogo
do “Fluzão” ou São Paulo quando tiver de acontecer por aqui?
São
loucos ou mal-intencionados?
Será
que imaginam que entre um jogo desses “perebas” do campeonato
brasileiro e um jogo da UEFA ou do campeonato alemão, espanhol ou
italiano, ou até mesmo do inglês, vou assistir uma pelada nacional,
com comentaristas que dão vergonha a quem entende de futebol?
Acredito
que o cronista tenha o direito de torcer. Mas não dá para ouvir um
comentário claramente compromissado com os interesses da emissora.
Dizer que uma pelada é um grande jogo é dose.
Também
creio que os clubes brasileiros estão cavando a própria sepultura.
Apostam todas as suas fichas na TV. Não creio ser a política mais
acertada e segura. Prefiro torcedor nos estádios. È só observar a
média dos últimos campeonatos.
Hoje
vemos rios de dinheiro serem desperdiçados por administrações
amadoras e oportunistas, que não é privilégio do dirigente
nordestino. Maiores verbas e maiores dívidas.
Poucos
clubes aproveitaram esses recursos para melhorar efetivamente suas
estruturas físicas e sua parte administrativa. A maior parte dos
recursos foi empregada em jogadores repatriados da Europa, veteranos
e ex-jogadores, que não perceberam a passagem do tempo.
Dinheiro
com facilidade e quantidade das TVs e de patrocínios questionáveis,
geraram uma inflação no preço do futebol e uma irresponsabilidade
nas contratações de jogadores, com retornos técnicos e financeiros
duvidosos.
Observando
o passado, compreendemos o presente e visualizamos o futuro.
Houve
um passado onde não havia competições nacionais. Havia campeonatos
estaduais e algumas competições regionais (Roberto Gomes Pedrosa e
copa Norte-Nordeste) e um arremedo chamado Taça Brasil.
Havia
jogos entre seleções de estados, e, aqui no Nordeste, serviu muito
para acirrar e manter a rivalidade (CE-PE-BA).
O
começo da década de 70 marca o início de uma competição de nível
nacional.
Claro
que logo ela é usada politicamente chegando a ter 96 participantes.
Claro
também que os clubes estão corretíssimos em procurar organizar e
dar um tom de seriedade a competição, buscando premiar os melhores.
Aí
é onde começa o grande erro.
Quando
você começa a trabalhar na perspectiva de formar um “clube do
Bolinha”, como fez o “clube dos 13”, é dar um tiro no pé.
Voltando
àquele velho ensinamento: nenhuma corrente é mais forte que seu elo
mais fraco.
O
futebol brasileiro, como um todo, passa por todos os estados,
federações e clubes.
Pela
vontade do “clube dos 13”, não haveria rebaixamento, e o
campeonato seria feito pelos escolhidos e pronto.
Não
percebem o que ocorre no restante do País. É essa minha crítica à
crônica esportiva.
Preocupada
em vender, não critica. Não enxerga outro mundo possível. Apenas
repete conceitos e chavões de um mundo que não existe mais.
Insistem em fantasiar o mundo.
Não
percebem que há uma rápida mudança cultural e de costumes no País.
Mudam-se conceitos. Destroem-se estruturas. Ou tentam.
Falo
por Fortaleza.
Ainda
existem muitos, desculpem o termo, “imbecis”, que vestem camisas
de times de outros estados. De um estado onde a torcida e a imprensa
tratam com desdem o futebol local. Mas já foi pior.
Apesar
da violência, é muito mais fácil ver camisas de Fortaleza e Ceará
nas ruas que de outros times. Isso se repete em Belém, São Luiz,
Natal, Recife, Salvador, Curitiba e Goiânia, Florianópolis.
Há
mais torcedores que não torcem por times do eixo Rio-São Paulo, do
que torcedores de times paulistas e cariocas.
Há
muitos torcedores que preferem assistir jogos do italiano, espanhol,
alemão e torneiro da UEFA. O futebol também se globaliza. Deixamos
de ser ilha.
Ainda
falando por minha percepção, acredito que a audiência de jogos, no
estado do Ceará, do Fortaleza e do Ceará pela TV seja maior que a
de jogos da série A, apesar de jogarem as séries C e B.
Talvez
a exceção sejam alguns poucos grandes jogos. Normalmente 3 ou 4
times se destacam tecnicamente e chamam atenção durante o
campeonato.
Claro
que as emissoras de TV enxergam antes da cartolagem que esse modelo
de futebol pode deixar de ser interessante e que pode haver problemas
de cotas num futuro próximo, quando a audiência diminuir também,
além da diminuição da torcida nos estádios.
Hoje
o público nos estádios beira o ridículo. Flamengo com média de
5000 torcedores?
Sem
público nos estádios, como fazer festa? Como garantir fidelidade se
não vivo a realidade do “meu time”?
Hoje
temos o monopólio imperial da Globo, que comete alguns absurdos.
O
maior deles é o criminoso horário das 22 horas para um jogo. Claro
que não interessa torcedor no estádio. Interessa na poltrona. Não
sei se isso é bom para os clubes.
O
monopólio da Globo, em conchavo com o clube dos 13, passa também
pelas cotas. Imaginem que o Fortaleza, quando na série A (2006 e
2007), teve o absurdo de ter sua cota da TV, pelos direitos de
transmissão da série A, inferior praticamente em 10 vezes o valor
da cota de time que estava na série B. Tudo pelo simples fato de que
um time da série B era do clube dos 13. Ou seja, o dinheiro de cotas
da série A não era apenas para os times da série A, era também
para compensar um clube, que era do “clube dos 13”, e que
disputaria a série B.
Dois
absurdos: primeiro a diminuição da cota de direito dos times da
série A; segundo, a vantagem absurda na competição da série B,
por parte de quem caísse, e fosse do Clube dos 13.
Não
vejo nenhuma vantagem para Corinthians, Vasco, Palmeiras,
Atlético-MG, Grêmio, Bahia e Sport conseguirem acessos nessa
situação de concorrência desleal. O Fluminense, coitado, nem
assim. Foi necessária uma virada de mesa para resgatá-lo das séries
B e C.
Não
acredito justo e correto este tipo de divisão.
Azar
do Fortaleza que assinou e aceitou esse absurdo.
Se
é para ser asfixiado financeiramente e cair de qualquer forma, que
não permitisse a transmissão nesta condição de divisão de cotas.
O
time do clube dos 13, que estava na B, que se virasse e conseguisse
sua cota. A cota da série A deveria ser exclusiva para os times
participantes da série A.
Ainda
tem mais. Há uma clara preferência por alguns times na grade de programação. Mais uma vantagem na venda de patrocínio nas camisas. Corinthians e Flamengo que o digam ao terem a certeza de que as emissoras (Sudeste) farão a transmissão
dos jogos, em rede nacional, tendo a consequente exposição.
É só observar os times que tem mais transmissões nas redes abertas. Façam a estatística. Até meados dos anos 2000, eram clubes do Rio. Todo domingo tinha um jogo de um time do Rio. Não me pergunte o porquê.
É só observar os times que tem mais transmissões nas redes abertas. Façam a estatística. Até meados dos anos 2000, eram clubes do Rio. Todo domingo tinha um jogo de um time do Rio. Não me pergunte o porquê.
Ultimamente
não aguento mais ver o Corinthians toda semana. Hoje é ”Parmeras”
da B, direto na Band. Nem perco meu tempo.
Claro
que a CBF "não tem nada a ver" com isso (kkkkkk). Nem sei quantas partidas o
“Parmeras” jogará às 22:00hs da sexta-feira. Nem quantas ele
jogará no sábado à tarde (mais kkkkkkk).
Outro
absurdo é um calendário feito exclusivamente para atender aos
interesses de CBF, TVs e dos clubes da série A.
Porque
os jogos da série B não ocorrem às 4ª, 5ª, sábados e domingos,
como é costume em nosso futebol?
Porque
a CBF se arvora do direito de negociar o contrato de transmissão da série B?
Alguma garantia à “Globo”?
Se
a Globo não aceita transmitir nestes dias e horários, porque não
permitir que outras emissoras negociem e transmitam a série B às quartas,quintas,sábados e domingos?
A
CBF garante que não exista esse risco, fazendo ela a negociação e
a programação dos jogos?
Porque
não vemos a imprensa, que grita por mudanças no futebol brasileiro,
enxergar esse absurdo? Algum interesse por trás? O futebol
brasileiro se resume a 12 times?
Se
a série B fosse transmitida por outra emissora em dias concorrentes
com os jogos da série A, será que a Globo pagaria a mesma cota de
hoje aos times da série A?
Com
certeza a audiência da série A seria menor e o pagamento também.
Ninguém
nunca imaginou como isso prejudica a concorrência no futebol,
asfixiando o pequeno e impedindo seu crescimento. E o futebol no
Brasil é somente Rio-São Paulo? Como fica o futebol
profissional?
Parece
que no Brasil o “grande” só sobrevive às custas do “pequeno”.
Não
vou nem falar do patrocínio dos times. Deve acontecer algo parecido
com o que acontece por aqui, em maiores proporções. Não sei até
que ponto as injunções políticas ou as paixões clubísticas
interferem nos negócios.
Apenas
vejo muita coincidência no fato de que alguns times, que não
conseguem os recursos que acreditam justo junto a iniciativa privada,
logo apareçam com um patrocínio de alguma estatal.
Assim,
os clubes grandes são aquinhoados com verbas públicas. Vasco,
Flamengo e Corinthians são exemplos. Nem falo de patrocínios
estaduais e municipais. E o mercado? E a livre iniciativa? kkkkkkkkk
Outro
problema é o calendário: porque a CBF não faz seu calendário das
séries A, B, C e D e Copa do Brasil e deixa que as Federações e
clubes decidam como ocupar as outras datas, que deveriam pertencer a
eles.
O
que o Fortaleza e sua torcida tem a ver com jogos da Copa
Sul-americana, se ele não está participando?
Porque
as federações não dispõem destas datas? Algum compromisso com
direitos de transmissão?
Porque
não poderia haver uma Copa do NE no segundo semestre?
Porque
obrigar a jogar uma Copa do NE no período dos campeonatos estaduais?
Será
que uma Copa do NE interessa aos “grandes” do sul e sudeste?
Será
que é bom para o “futebol brasileiro”?
Se
as datas dos jogos em competições nacionais são definidas pela CBF
de maio a dezembro, porque as datas existentes para competições
internacionais não podem ser preenchidas por competições regionais
ou estaduais?
Porque
aqui, em Fortaleza, não posso ver meu time disputando um campeonato?
Por que será que a CBF não permite competições nas datas vagas de
jogos dela, principalmente nas datas de jogos da Sul-americana?
Porque
obrigar os campeonatos estaduais a serem jogados somente até abril?
Calendário
do futebol brasileiro? Parece piada.
Porque
a Copa do Nordeste não poderia ser jogada no segundo semestre? Qual
interesse comercial por trás.
Creio
que alguma mudança está para ocorrer. Provavelmente uma mudança na
lei que regulamenta as comunicações. E os clubes sentirão o erro
cometido ao priorizar suas receitas da TV e ficarem submissos a seus
interesses, deixando os estádios vazios.
Da
mesma forma que algumas competições ficaram no passado, creio que
mudanças estão para ocorrer.
Mudanças
também podem começar a ocorrer com os dirigentes.
Se
nossos atuais dirigentes fossem mais inteligentes e não tivessem
interesses não declarados, haveria já uma discussão séria sobre
competições regionais.
Querem
acabar os estaduais por interesses comerciais, e, hoje, temos uma
ajuda importante das federações estaduais nessa direção, com
campeonatos estaduais ridículos e “sem futuro”.
A
época dos estaduais pode estar chegando ao final pela atual
impossibilidade financeira de manutenção econômica se continuarem
com os formatos, períodos obrigatórios e quantidades de clubes.
Nasci
na década de 60 em Fortaleza.
Nos
anos 60 e 70, a maior parte dos moradores de Fortaleza era nascida no
interior.
Nos
últimos 40 anos houve uma grande mudança.
Gerações
nasceram e cresceram em Fortaleza. Aqui construíram sua vida e
tiveram filhos. Não havia transmissão ao vivo e o campeonato
cearense se restringia aos times da capital.
Meu
pai nasceu no interior. Eu nasci em Fortaleza, com ligação com a
terra de minha família. Meus filhos nem vão ao interior. Meus netos
nem conhecem o interior.
Os
que nasceram no interior, num passado distante, se acostumaram a
acompanhar os jogos pelo rádio, principalmente a Globo e a Nacional.
Torciam
por times do Rio, e, pouquíssimos, torciam por times de São Paulo.
Quase ninguém torcia por times estaduais.
Seus
filhos se acostumaram a ir ao estádio e a torcer por times locais,
acompanhando o dia a dia.
Isso
se repetiu em cada estado fora do eixo Rio-São Paulo. Exceção para
o Norte e Centro-oeste do País, com a chegada de migrantes.
Mas
esses migrantes começam a ter filhos onde moram. Esses filhos são
filhos de onde nasceram, e não dos Estados de origem dos pais.
Sou
torcedor de carteirinha do Leão. Sou sócio torcedor e não perco de
forma alguma qualquer jogo. No PV, no Castelão, na TV ou no rádio.
Deixo de assistir jogo na TV para ouvir o jogo do Leão pelo rádio.
Claro
que se sofre a influência da TV nos dias de hoje, mas há tantos
jogos, e a grande maioria é de jogos tão ruins, que grande parte
dos torcedores nem se dá ao trabalho de deixar de fazer algo em
função de um jogo na TV.
Normalmente
assistimos quando não “se tem o que fazer” ou quando
aproveitamos e nos reunimos com amigos em bares.
Fica
minha sugestão, dirigida principalmente aos torcedores, dirigentes e
cronistas do Norte e Nordeste.
Isso
num primeiro momento. Depois com a inclusão de Estados do Norte e
Centro-Oeste.
Campeonatos
Estaduais (principalmente do NE) – 2 fases:
- Fase classificatória: jogos entre clubes que não participam dos campeonatos regionais ou nacionais, a ser disputada entre março e novembro. Se classificam tantos quantos sejam necessários para completar oito clubes, tendo em vista que alguns clubes disputarão campeonatos regionais/nacionais. Seria abolido as sérias A, B, C … e Z dos estaduais;
- Fase final: Oito clubes, em jogos de ida e volta, no sistema de pontos corridos, a ser disputado de fevereiro a abril.
Campeonato
Regional:
- Campeonato disputado por times do PA (3), MA(2), PI(2), CE(3), RN(2), PB(2), PE(3), AL(2), SE(2), BA(3), num primeiro momento;
- A composição seria em função da colocação no estadual (fase final);
- Disputado entre julho e dezembro, nas datas vagas da CBF;
- Fórmula simples (sempre em jogos de ida e volta):
- 1ª fase: 6 grupos de 4;
- 2ª fase: 4 grupos de 3 times;
- Semifinal
- Final
Que
o clube dos 13 negocie cotas e faça o calendário que mais lhes
aprouver.
Isso
é problema deles. O nosso é exigir liberdade e organizar nosso
campeonato com clubes do NO/NE e C-O. Organizar e comercializar um
campeonato nosso. Tanto os estaduais, quanto os regionais.
Fico
só imaginando a revolução.
Num
primeiro momento 10 federações. 5 grandes capitais (Belém,
Fortaleza, Natal, Recife e Salvador). As torcidas de Remo, Payssandu,
Fortaleza, Ceará, América, ABC, Santa Cruz, Sport, Náutico, Bahia
e Vitória desligados de alguns jogos “nacionais” e ligados na
disputa de um campeonato regional.
Sou
um sonhador e acredito possível. Basta aos atores assumirem à
direção do destino.
Hoje
temos grupos, além da Globo, interessados em transmitir futebol:
Bandeirantes, Record, ESPN e agora chegou a FOX Sports.
Dá
para enfrentar o monopólio e poderio da Globo. Dá para
revolucionar.
Lamento
que por migalhas sejam vendidas as séries B e C. Nem se fala na
série D.
Será
que não dá para se dar não à Globo? Será que não há
alternativas?
Será
que teremos sempre jogos em dias e horários inadequados ao futebol?
Apenas adequados à própria grade de programação da Globo.
Fica
o sonho e o abraço.
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