quinta-feira, 13 de junho de 2013

Uma revolução é possível? E o futebol é realmente brasileiro?

Uma revolução é possível? E o futebol é realmente brasileiro?
Começo por pedir desculpas aos jornalistas, radialistas ou cronistas esportivos por começar com uma crítica, em maior ou menor grau, e não é específica.
Mas não é possível que a imprensa esportiva, principalmente a paulista e carioca não consiga perceber que o Brasil é maior que Rio e São Paulo. Que há futebol em todo país.
Falo porque, independente do programa, estação ou veículo, parece que o Brasil se resume a série A ou aos times de Rio e São Paulo. Claro que com algumas exceções. Só para confirmar a regra.
Lamento, mas quando vocês estão em rede nacional, deveriam ter em conta este detalhe. E quando falar do futebol do NO, NE e CO, falar com seriedade, porque, palhaçada por palhaçada, temos de norte a sul deste País circense.
Existe um ditado que diz: “nenhuma corrente é mais forte que seu elo mais fraco”. Acho graça quando escuto cronistas falando que o “futebol brasileiro” está contratando grandes jogadores internacionais. Kkkkkkkk. Realmente o “futebol brasileiro” está bem.
Queria que os cronistas esportivos, que enxergam apenas 12 times de futebol no Brasil, explicassem o que eles entendem como definição de futebol profissional.
Seria 40 times jogando o ano todo e a grande maioria jogando apenas 2 ou 3 meses? É isso que eles chamam de calendário do “futebol brasileiro”?
Realmente é um calendário do FUTEBOL BRASILEIRO.
Defendem o fim dos estaduais.
Pergunto: será que eles imaginam que eu, cearense “da gema”, nascido e criado por aqui, vou torcer por um time do sul maravilha?
Acreditam mesmo que vou comprar a camisa do Fluminense ou São Paulo? Acreditam que vou levar meu filho para o estádio apenas para assistir ao jogo do “Fluzão” ou São Paulo quando tiver de acontecer por aqui?
São loucos ou mal-intencionados?
Será que imaginam que entre um jogo desses “perebas” do campeonato brasileiro e um jogo da UEFA ou do campeonato alemão, espanhol ou italiano, ou até mesmo do inglês, vou assistir uma pelada nacional, com comentaristas que dão vergonha a quem entende de futebol?
Acredito que o cronista tenha o direito de torcer. Mas não dá para ouvir um comentário claramente compromissado com os interesses da emissora. Dizer que uma pelada é um grande jogo é dose.
Também creio que os clubes brasileiros estão cavando a própria sepultura. Apostam todas as suas fichas na TV. Não creio ser a política mais acertada e segura. Prefiro torcedor nos estádios. È só observar a média dos últimos campeonatos.
Hoje vemos rios de dinheiro serem desperdiçados por administrações amadoras e oportunistas, que não é privilégio do dirigente nordestino. Maiores verbas e maiores dívidas.
Poucos clubes aproveitaram esses recursos para melhorar efetivamente suas estruturas físicas e sua parte administrativa. A maior parte dos recursos foi empregada em jogadores repatriados da Europa, veteranos e ex-jogadores, que não perceberam a passagem do tempo.
Dinheiro com facilidade e quantidade das TVs e de patrocínios questionáveis, geraram uma inflação no preço do futebol e uma irresponsabilidade nas contratações de jogadores, com retornos técnicos e financeiros duvidosos.
Observando o passado, compreendemos o presente e visualizamos o futuro.
Houve um passado onde não havia competições nacionais. Havia campeonatos estaduais e algumas competições regionais (Roberto Gomes Pedrosa e copa Norte-Nordeste) e um arremedo chamado Taça Brasil.
Havia jogos entre seleções de estados, e, aqui no Nordeste, serviu muito para acirrar e manter a rivalidade (CE-PE-BA).
O começo da década de 70 marca o início de uma competição de nível nacional.
Claro que logo ela é usada politicamente chegando a ter 96 participantes.
Claro também que os clubes estão corretíssimos em procurar organizar e dar um tom de seriedade a competição, buscando premiar os melhores.
Aí é onde começa o grande erro.
Quando você começa a trabalhar na perspectiva de formar um “clube do Bolinha”, como fez o “clube dos 13”, é dar um tiro no pé.
Voltando àquele velho ensinamento: nenhuma corrente é mais forte que seu elo mais fraco.
O futebol brasileiro, como um todo, passa por todos os estados, federações e clubes.
Pela vontade do “clube dos 13”, não haveria rebaixamento, e o campeonato seria feito pelos escolhidos e pronto.
Não percebem o que ocorre no restante do País. É essa minha crítica à crônica esportiva.
Preocupada em vender, não critica. Não enxerga outro mundo possível. Apenas repete conceitos e chavões de um mundo que não existe mais. Insistem em fantasiar o mundo.
Não percebem que há uma rápida mudança cultural e de costumes no País. Mudam-se conceitos. Destroem-se estruturas. Ou tentam.
Falo por Fortaleza.
Ainda existem muitos, desculpem o termo, “imbecis”, que vestem camisas de times de outros estados. De um estado onde a torcida e a imprensa tratam com desdem o futebol local. Mas já foi pior.
Apesar da violência, é muito mais fácil ver camisas de Fortaleza e Ceará nas ruas que de outros times. Isso se repete em Belém, São Luiz, Natal, Recife, Salvador, Curitiba e Goiânia, Florianópolis.
Há mais torcedores que não torcem por times do eixo Rio-São Paulo, do que torcedores de times paulistas e cariocas.
Há muitos torcedores que preferem assistir jogos do italiano, espanhol, alemão e torneiro da UEFA. O futebol também se globaliza. Deixamos de ser ilha.
Ainda falando por minha percepção, acredito que a audiência de jogos, no estado do Ceará, do Fortaleza e do Ceará pela TV seja maior que a de jogos da série A, apesar de jogarem as séries C e B.
Talvez a exceção sejam alguns poucos grandes jogos. Normalmente 3 ou 4 times se destacam tecnicamente e chamam atenção durante o campeonato.
Claro que as emissoras de TV enxergam antes da cartolagem que esse modelo de futebol pode deixar de ser interessante e que pode haver problemas de cotas num futuro próximo, quando a audiência diminuir também, além da diminuição da torcida nos estádios.
Hoje o público nos estádios beira o ridículo. Flamengo com média de 5000 torcedores?
Sem público nos estádios, como fazer festa? Como garantir fidelidade se não vivo a realidade do “meu time”?
Hoje temos o monopólio imperial da Globo, que comete alguns absurdos.
O maior deles é o criminoso horário das 22 horas para um jogo. Claro que não interessa torcedor no estádio. Interessa na poltrona. Não sei se isso é bom para os clubes.
O monopólio da Globo, em conchavo com o clube dos 13, passa também pelas cotas. Imaginem que o Fortaleza, quando na série A (2006 e 2007), teve o absurdo de ter sua cota da TV, pelos direitos de transmissão da série A, inferior praticamente em 10 vezes o valor da cota de time que estava na série B. Tudo pelo simples fato de que um time da série B era do clube dos 13. Ou seja, o dinheiro de cotas da série A não era apenas para os times da série A, era também para compensar um clube, que era do “clube dos 13”, e que disputaria a série B.
Dois absurdos: primeiro a diminuição da cota de direito dos times da série A; segundo, a vantagem absurda na competição da série B, por parte de quem caísse, e fosse do Clube dos 13.
Não vejo nenhuma vantagem para Corinthians, Vasco, Palmeiras, Atlético-MG, Grêmio, Bahia e Sport conseguirem acessos nessa situação de concorrência desleal. O Fluminense, coitado, nem assim. Foi necessária uma virada de mesa para resgatá-lo das séries B e C.
Não acredito justo e correto este tipo de divisão.
Azar do Fortaleza que assinou e aceitou esse absurdo.
Se é para ser asfixiado financeiramente e cair de qualquer forma, que não permitisse a transmissão nesta condição de divisão de cotas.
O time do clube dos 13, que estava na B, que se virasse e conseguisse sua cota. A cota da série A deveria ser exclusiva para os times participantes da série A.
Ainda tem mais. Há uma clara preferência por alguns times na grade de programação. Mais uma vantagem na venda de patrocínio nas camisas. Corinthians e Flamengo que o digam ao terem a certeza de que as emissoras (Sudeste) farão a transmissão dos jogos, em rede nacional, tendo a consequente exposição. 
É só observar os times que tem mais transmissões nas redes abertas. Façam a estatística. Até meados dos anos 2000, eram clubes do Rio. Todo domingo tinha um jogo de um time do Rio. Não me pergunte o porquê.
Ultimamente não aguento mais ver o Corinthians toda semana. Hoje é ”Parmeras” da B, direto na Band. Nem perco meu tempo.
Claro que a CBF "não tem nada a ver" com isso (kkkkkk). Nem sei quantas partidas o “Parmeras” jogará às 22:00hs da sexta-feira. Nem quantas ele jogará no sábado à tarde (mais kkkkkkk).
Outro absurdo é um calendário feito exclusivamente para atender aos interesses de CBF, TVs e dos clubes da série A.
Porque os jogos da série B não ocorrem às 4ª, 5ª, sábados e domingos, como é costume em nosso futebol?
Porque a CBF se arvora do direito de negociar o contrato de transmissão da série B? Alguma garantia à “Globo”?
Se a Globo não aceita transmitir nestes dias e horários, porque não permitir que outras emissoras negociem e transmitam a série B às quartas,quintas,sábados e domingos?
A CBF garante que não exista esse risco, fazendo ela a negociação e a programação dos jogos?
Porque não vemos a imprensa, que grita por mudanças no futebol brasileiro, enxergar esse absurdo? Algum interesse por trás? O futebol brasileiro se resume a 12 times?
Se a série B fosse transmitida por outra emissora em dias concorrentes com os jogos da série A, será que a Globo pagaria a mesma cota de hoje aos times da série A?
Com certeza a audiência da série A seria menor e o pagamento também.
Ninguém nunca imaginou como isso prejudica a concorrência no futebol, asfixiando o pequeno e impedindo seu crescimento. E o futebol no Brasil é somente Rio-São Paulo? Como fica o futebol profissional?
Parece que no Brasil o “grande” só sobrevive às custas do “pequeno”.
Não vou nem falar do patrocínio dos times. Deve acontecer algo parecido com o que acontece por aqui, em maiores proporções. Não sei até que ponto as injunções políticas ou as paixões clubísticas interferem nos negócios.
Apenas vejo muita coincidência no fato de que alguns times, que não conseguem os recursos que acreditam justo junto a iniciativa privada, logo apareçam com um patrocínio de alguma estatal.
Assim, os clubes grandes são aquinhoados com verbas públicas. Vasco, Flamengo e Corinthians são exemplos. Nem falo de patrocínios estaduais e municipais. E o mercado? E a livre iniciativa? kkkkkkkkk
Outro problema é o calendário: porque a CBF não faz seu calendário das séries A, B, C e D e Copa do Brasil e deixa que as Federações e clubes decidam como ocupar as outras datas, que deveriam pertencer a eles.
O que o Fortaleza e sua torcida tem a ver com jogos da Copa Sul-americana, se ele não está participando?
Porque as federações não dispõem destas datas? Algum compromisso com direitos de transmissão?
Porque não poderia haver uma Copa do NE no segundo semestre?
Porque obrigar a jogar uma Copa do NE no período dos campeonatos estaduais?
Será que uma Copa do NE interessa aos “grandes” do sul e sudeste?
Será que é bom para o “futebol brasileiro”?
Se as datas dos jogos em competições nacionais são definidas pela CBF de maio a dezembro, porque as datas existentes para competições internacionais não podem ser preenchidas por competições regionais ou estaduais?
Porque aqui, em Fortaleza, não posso ver meu time disputando um campeonato? Por que será que a CBF não permite competições nas datas vagas de jogos dela, principalmente nas datas de jogos da Sul-americana?
Porque obrigar os campeonatos estaduais a serem jogados somente até abril?
Calendário do futebol brasileiro? Parece piada.
Porque a Copa do Nordeste não poderia ser jogada no segundo semestre? Qual interesse comercial por trás.
Creio que alguma mudança está para ocorrer. Provavelmente uma mudança na lei que regulamenta as comunicações. E os clubes sentirão o erro cometido ao priorizar suas receitas da TV e ficarem submissos a seus interesses, deixando os estádios vazios.
Da mesma forma que algumas competições ficaram no passado, creio que mudanças estão para ocorrer.
Mudanças também podem começar a ocorrer com os dirigentes.
Se nossos atuais dirigentes fossem mais inteligentes e não tivessem interesses não declarados, haveria já uma discussão séria sobre competições regionais.
Querem acabar os estaduais por interesses comerciais, e, hoje, temos uma ajuda importante das federações estaduais nessa direção, com campeonatos estaduais ridículos e “sem futuro”.
A época dos estaduais pode estar chegando ao final pela atual impossibilidade financeira de manutenção econômica se continuarem com os formatos, períodos obrigatórios e quantidades de clubes.
Nasci na década de 60 em Fortaleza.
Nos anos 60 e 70, a maior parte dos moradores de Fortaleza era nascida no interior.
Nos últimos 40 anos houve uma grande mudança.
Gerações nasceram e cresceram em Fortaleza. Aqui construíram sua vida e tiveram filhos. Não havia transmissão ao vivo e o campeonato cearense se restringia aos times da capital.
Meu pai nasceu no interior. Eu nasci em Fortaleza, com ligação com a terra de minha família. Meus filhos nem vão ao interior. Meus netos nem conhecem o interior.
Os que nasceram no interior, num passado distante, se acostumaram a acompanhar os jogos pelo rádio, principalmente a Globo e a Nacional.
Torciam por times do Rio, e, pouquíssimos, torciam por times de São Paulo. Quase ninguém torcia por times estaduais.
Seus filhos se acostumaram a ir ao estádio e a torcer por times locais, acompanhando o dia a dia.
Isso se repetiu em cada estado fora do eixo Rio-São Paulo. Exceção para o Norte e Centro-oeste do País, com a chegada de migrantes.
Mas esses migrantes começam a ter filhos onde moram. Esses filhos são filhos de onde nasceram, e não dos Estados de origem dos pais.
Sou torcedor de carteirinha do Leão. Sou sócio torcedor e não perco de forma alguma qualquer jogo. No PV, no Castelão, na TV ou no rádio. Deixo de assistir jogo na TV para ouvir o jogo do Leão pelo rádio.
Claro que se sofre a influência da TV nos dias de hoje, mas há tantos jogos, e a grande maioria é de jogos tão ruins, que grande parte dos torcedores nem se dá ao trabalho de deixar de fazer algo em função de um jogo na TV.
Normalmente assistimos quando não “se tem o que fazer” ou quando aproveitamos e nos reunimos com amigos em bares.
Fica minha sugestão, dirigida principalmente aos torcedores, dirigentes e cronistas do Norte e Nordeste.
Isso num primeiro momento. Depois com a inclusão de Estados do Norte e Centro-Oeste.
Campeonatos Estaduais (principalmente do NE) – 2 fases:
  • Fase classificatória: jogos entre clubes que não participam dos campeonatos regionais ou nacionais, a ser disputada entre março e novembro. Se classificam tantos quantos sejam necessários para completar oito clubes, tendo em vista que alguns clubes disputarão campeonatos regionais/nacionais. Seria abolido as sérias A, B, C … e Z dos estaduais;
  • Fase final: Oito clubes, em jogos de ida e volta, no sistema de pontos corridos, a ser disputado de fevereiro a abril.
Campeonato Regional:
  • Campeonato disputado por times do PA (3), MA(2), PI(2), CE(3), RN(2), PB(2), PE(3), AL(2), SE(2), BA(3), num primeiro momento;
  • A composição seria em função da colocação no estadual (fase final);
  • Disputado entre julho e dezembro, nas datas vagas da CBF;
  • Fórmula simples (sempre em jogos de ida e volta):
  • 1ª fase: 6 grupos de 4;
  • 2ª fase: 4 grupos de 3 times;
  • Semifinal
  • Final
Que o clube dos 13 negocie cotas e faça o calendário que mais lhes aprouver.
Isso é problema deles. O nosso é exigir liberdade e organizar nosso campeonato com clubes do NO/NE e C-O. Organizar e comercializar um campeonato nosso. Tanto os estaduais, quanto os regionais.
Fico só imaginando a revolução.
Num primeiro momento 10 federações. 5 grandes capitais (Belém, Fortaleza, Natal, Recife e Salvador). As torcidas de Remo, Payssandu, Fortaleza, Ceará, América, ABC, Santa Cruz, Sport, Náutico, Bahia e Vitória desligados de alguns jogos “nacionais” e ligados na disputa de um campeonato regional.
Sou um sonhador e acredito possível. Basta aos atores assumirem à direção do destino.
Hoje temos grupos, além da Globo, interessados em transmitir futebol: Bandeirantes, Record, ESPN e agora chegou a FOX Sports.
Dá para enfrentar o monopólio e poderio da Globo. Dá para revolucionar.
Lamento que por migalhas sejam vendidas as séries B e C. Nem se fala na série D.
Será que não dá para se dar não à Globo? Será que não há alternativas?
Será que teremos sempre jogos em dias e horários inadequados ao futebol? Apenas adequados à própria grade de programação da Globo.

Fica o sonho e o abraço.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por contribuir com seu comentário. O mesmo será liberado após a moderação.