sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Precisamos dos cubanos?

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Artigos - Opinião
12.09.2013
Precisamos dos cubanos?


Elaine Tavares
Adital


Eu aprendi com Enrique Dussel que talvez o único imperativo ético universal seja a vida. Mas, não uma vida qualquer. A vida daquele que é vítima do sistema que o oprime e o envilece. É esse ser que temos de defender com unhas e dentes, para o que vier. Todos os dias, nos deparamos com ele, na televisão, na rua de casa, no mercado, ao virar a esquina. O caído, o desgraçado, o fugitivo, o assustado. A maioria das pessoas faz como naquela linda parábola de Jesus: olha, e passa adiante. Poucos são os que se curvam e acolhem o que está no chão. E é bom que se diga que os empobrecidos da terra não o são por sua culpa. A maioria está nessa condição porque alguém está lhe sugando a vida. Alguém está enriquecendo a custa do outro. É a máxima do capitalismo. Só que é mais fácil permanecer com o véu da alienação. Conhecer dói.
Noite após noite a televisão –esse olho insone- joga na nossa cara a dor do mundo. Mas, de maneira espetacular, consegue virar o jogo. Os meninos negros, que são assassinados como moscas nas periferias das grandes cidades, não aparecem como vítimas. Eles são os "monstros” que andam por aí a fazer maldade. Ninguém diz o porquê deles ficaram assim, se é que ficaram mesmo. E os bons cristãos fazem o "pelo sinal” e agradecem pela polícia nos livrar dessa "corja”. Também vemos os "terroristas”, que podem ser os palestinos, os sírios, os iraquianos, os afegãos, sempre serão aqueles que estarão vinculados a algum plano do império estadunidense para vivenciar a "plena democracia”. Não importa se para isso for necessário promover farsas macabras, como a do 11 de setembro ou o assassinato de crianças inocentes com armas químicas. Tudo vale a pena porque a "democracia” não é pequena. E a classe média, aquecida em seus cobertores, esfrega as mãos e agradece pelo império fazer a defesa de seu castelo de sonhos, "o mundo livre”.
Esses mesmos falsos burgueses, que pensam estar seguros com seus planos de saúde, agora se levantam contra a vinda dos médicos cubanos. Acreditam na revista Veja. Creem firmemente que essa gente solidária nada mais é do que um povo escravizado que teme desobedecer a Fidel. Não sabem nada de Cuba, de sua história, da coragem de seu povo em estar há mais de 60 anos enfrentando o maior império da terra, e vencendo. Não sabem que na ilha socialista qualquer pessoa que queira, pode ser médico, engenheiro ou padeiro. Depende apenas de sua vontade. Não sabem que são esses profissionais que se formam na solidariedade ao caído, ao oprimido, que se deslocam para os mais terríveis lugares da terra unicamente para salvar e acolher. São esses jovens médicos cubanos os que estão no Haiti, curando feridas, enquanto os nossos jovens vão para lá de arma em punho, servir de cão de guarda ao império.
Agora vem essa polêmica por conta da vinda dos cubanos. De novo o véu da alienação. Ninguém se pergunta por que um país como o nosso, tão rico, tão cheio de bênçãos, precisa desses abnegados cidadãos? Se os médicos cubanos são aqueles que partem para os confins do mundo, onde a dor do outro é tão intensa que mais ninguém quer ver, por que precisariam vir para o Brasil? Que porcaria de país é esse que arrota caviar, mas precisa dos médicos cubanos, esses que vão aonde ninguém quer ir?
Pois esse é um país no qual boa parte dos médicos sente nojo dos pobres, sente medo, sente asco. E por conta disso os deixam morrer nas ruas, sem ajuda. Ou olham, sem sequer levantar da cadeira, uma pessoa ter um ataque do coração. Ou são aqueles que sequer levantam os olhos para o doente à sua frente num posto de saúde. Os que não apertam a mão, os que não tocam, não examinam, não reconhecem o enfermo como ser humano precisando de consolo.
Esse é um país aonde os jovens recém-formados se recusam a ir para o interior, para os lugares longínquos, para as selvas, para as favelas, os bairros de periferia. Nem mesmo altos salários os comovem. Deve ser, portanto, um problema de origem. Talvez um problema de classe. Quem é que nesse país pode se formar em medicina? Como pode um jovem da periferia ser médico se o curso exige tempo integral e custa os olhos da cara, mesmo numa escola pública? Pois esse é um país que forma médicos, dentistas, engenheiros, na sua maioria de classe alta. É, portanto, bem diferente de Cuba, que incentiva e garante o ensino dessas profissões, e por ter tantos profissionais pode mandá-los pelo mundo para que ajudem quem nada tem.
Assim, que a vinda dos queridos irmãos cubanos para o Brasil, em vez de causar tanta indignação, deveria suscitar um alerta. Se temos tantos médicos como ficou parecendo nas passeatas dos "de branco”, por que não os encontramos onde eles têm de estar? Por que precisamos da ajuda dos cubanos, se eles estão acostumados a atuarem em lugares perdidos de toda a esperança, como os confins do continente africano, ou as aldeias andinas, ou os empobrecidos países do Caribe, como é o caso do Haiti? Em que medida o país do pré-sal, a quinta economia do mundo, se compara a esses tristes lugares onde só a solidariedade cubana é capaz de chegar?
Essas perguntas é que deveriam ser feitas por nós. O que é a medicina num país capitalista? Ela existe para salvar a vida, para dar conforto ou apenas para fazer girar a roda do lucro das farmacêuticas e dos mercadores da saúde? Por que não temos uma medicina preventiva? Por que não há médicos nos postos de saúde? Por que não estão eles nos hospitais, nas emergências, nas pequenas cidades do interior, no campo? Onde se esconde toda essa gente que agora anda a vociferar nas ruas?
Sim, nós não deveríamos precisar dos médicos cubanos. Nossa juventude deveria ter acesso às escolas de medicina, de odontologia, de veterinária. Deveríamos formar milhares e milhares de profissionais da saúde, para que cuidassem das gentes de todo o país. Deveríamos ter universidades de massa, nas quais os filhos do povo pudessem se formar com qualidade. E qualquer guri, mesmo aquele que vive lá no interior do Acre, deveria poder fazer realidade o sonho de ser "doutor”. Mas, não é assim. Os médicos que temos são esses que vemos na televisão dizendo que se vierem os cubanos eles não vão ajudar quando eles errarem. Ou seja, que morra o vivente, apenas para provar que estão certos.
É certo que temos também muitos profissionais médicos que se assemelham aos cubanos, que dedicam suas vidas ao juramento que fizeram de cuidar, acolher, curar. Esses, sabemos reconhecer de apenas uma mirada. Mas, ainda são minoria. Para nossa desgraça, o que aparece são esses que vemos na TV a bradar contra os cubanos, mas não contra o estado de abandono que está a população. E é isso que torna tudo ainda mais sórdido. Porque pessoas há que lhes dão razão, e não são poucas. Essas mesmas pessoas que, portando um plano privado de saúde, acreditam estar a salvo. Não estão. Mas, ainda assim, compactuam dos preconceitos, dos absurdos, da alienação e da mentira.
Eu realmente não queria que os médicos cubanos viessem para cá. Queria ter um país que não precisasse dessa ajuda solidária. Mas, ocorre que, em alguma medida, e em tantos lugares, somos tão desprotegidos como os irmãos do Haiti ou de alguma longínqua aldeia africana. É certo que os médicos cubanos são só pessoas, não fazem milagres. Mas, não há dúvidas de que a medicina que se ensina e pratica na ilha caribenha se difere em muito da nossa. Ela pensa o ser como uma vida integral, alguém que tem nome, sobrenome, sonhos, esperanças. Não é um dado na ficha, um inoportuno, um zé ninguém. E é por conta disso que quero receber essa gente única com todo o amor que há nessa vida. Eles saem de suas casas para fazer o que nossos profissionais deveriam fazer. Rogo a todos os deuses que eles tragam, mais do que essa solidariedade abissal, também o germe da rebeldia, para que nosso povo possa compreender que já é chegada a hora de fazermos a transformação. E que a gente avance para um país que não precise dos cubanos, um país que possa ser ocupado por nós mesmos. Mas, para isso, haveremos de mudar a universidade, mudar o país, e sair desse sistema que mercadeja com a saúde e a vida.
Os cubanos podem até não salvar todas as vidas, mas, não duvido, eles serão capazes de segurar a mão do que padece e dizer: "não tema, eu estou aqui”. Porque são feitos de outro barro. Socialista.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Time rico é outra coisa

Mais duas tentativas para se organizar o meio de campo com as chegadas de Danilo Rios e Celsinho (muito prazer).
Realmente o Leão apresenta claras deficiências. Contrata muito jogador, quase 100% sem condições técnicas de vestir o manto sagrado.
Como esperam que a base se sinta motivada. Jéferson, Walfrido, Alemão, Edinho não são piores que os que chegaram, com poucas exceções.
Agora o Jéferson vai para o Boa. Serve para o Boa na segunda divisão e não serve para o leão na terceira.
Pense num povo para entender de futebol.
Talvez eu é que não entenda. Time rico é outra coisa … mais de 30 contratações no ano.

Jeri, 12/09/2013

Fortaleza 2 X 0 Santa Cruz

Assisti a vitória sobre o Santa Cruz.
Indiscutível sua importância para a classificação. Mas ainda longe de aceitar como padrão de jogo.
Claro que poderia ter feito um gol no primeiro tempo. Claro que poderia ter feito dois ou três no segundo tempo, mas é claro que poderia ter levado o empate logo após ter feito o primeiro gol.
Foram três chances reais do Santa como resultado da pressão e pela incapacidade do FEC reter a posse de bola.
Novamente um meio de campo sem alma. O Heleno fez a diferença como volante, junto com a raça e a qualidade do Eslei.
Guaru e Jackson Caucaia uma tristeza. Não organizavam jogada alguma. Não coordenavam nada. Não retinham a posse de bola. Não lançavam, defendiam pouco e cruzavam mal. O Joilson entra e nada muda. É difícil. Tenho visto qualidade e esforço do Waldison, além duma grande partida do João Carlos e zagueiros, inclusive o Charles. Ontem foi o dia do Ruan. Achei o banco mal escalado.
O Fortaleza é um time que não retem a posse de bola e não vira o jogo. Que aprofunda demais o jogo com lançamentos longos e não faz cruzamentos com qualidade. Que quando nas dificuldades em jogadas pelas extremas não volta o jogo e não consegue esfriar o adversário.
Isso é resultado de treinamento … ou da falta dele.
Minha lembrança do ano passado está viva: ganha na fase classificatória com alguma ajuda da sorte e, sem esta sorte, se enrola no mata-mata.
Precisa de coordenação no meio de campo. Se este jogador não existe, está ruim.
Ganhar do Brasiliense domingo, praticamente elimina Brasiliense, Santa e Águia de chance se ser o primeiro. Ganhar do Brasiliense domingo garante a liderança por mais uma rodada. Ganhar do Brasiliense domingo, e dependendo de alguns resultados, garante vaga entre os quatro com bastante antecedência.
Finalmente, ganhar do Brasiliense, Luverdense e Sampaio em casa, garante a primeira colocação.
FORÇA LEÃO?

Fortaleza, 09/09/2013

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

CRB 2 X 0 Fortaleza

Distribuirei igualmente as responsabilidades: metade para a diretoria que contrata e a outra metade para o treinador que escala.
Vamos por partes.
O 3x5x2 é um sistema superinteressante, mas não basta escalar 3 zagueiros e 2 atacantes. É principalmente necessário se combinar as características. Quem cobre o ala é o primeiro volante e o segundo volante se posiciona à frente da zaga. Os dois alas fecham para compor com o segundo volante e os zagueiros não jogam afastados um do outro. O 3x5x2 do Fortaleza deixa os zagueiros afastados e com os volantes e alas sem posição na marcação. Fica um “buraco” no meio e a frente da zaga.
Ala direita: supor que o Cacá (aí começam os problemas ... Kkkkkkkk). Supor que o Jackson Caucaia é ala é brincar com o destino. O Jackson é um jogador sem sangue. Não ataca, não ocupa espaços e não marca. Ainda não compreendi sua finalidade em campo. A diretoria contrata. O treinador escala e a torcida se vê obrigada, impotente, a aguentar.
Zaga: o Charles é um zagueiro jovem e estabanado. É raçudo e com boa recuperação. Pode até compor a zaga num 4x4x2 ao lado de um zagueiro experiente tal qual o Fabrício. Pode ainda aprender e se tornar o zagueiro que a imprensa acha que ele é. O 3x5x2 exige mais do zagueiro. Exige que ele avance ao ataque. Exige que ele cubra o lateral. Exige que ele seja zagueiro. O Charles dá espaço para o atacante jogar, o que compromete o 3x5x2.
Não consigo enxergar um 3x5x2 onde os zagueiros jogam afastados e os volantes jogam em linha, cada qual cobrindo um lado.
O Peterson não é melhor que outros volantes existentes no Leão.
O Ruan é apenas esforçado, e o Jussimar, já visto no estadual, também não passa disso.
O CRB é um time apenas de razoável para baixo. Com todas as asneiras, o Leão poderia ter empatado o jogo no segundo tempo.
O Luis Carlos Martins já passou pelo Leão e foi derrotado pela teimosia em apostar em jogadores que não vão a lugar nenhum. Assim foi com o Hélio dos Anjos.
Contra o Sampaio valeu a alegativa de desconhecer o elenco. Hoje não. Um time sem alma e sem vontade em São Luiz. Um time baratinado em campo ontem contra o CRB.
Vi o jogo em Marabá. Já morei lá e assisti muitos jogos do Águia. O gramado melhorou muito, mas o calor continua de "lascar". Estava na arquibancada sol e sofri.
No primeiro tempo o Charles comprometeu o 3x5x2. Falhando e forçando a zaga a errar permanentemente o posicionamento. Sua saída no intervalo com a entrada do João Gabriel consertou a zaga e fez com que o Águia não tivesse nenhuma chance de gol no segundo tempo, dando consistência ao 3x5x2 no segundo tempo em Marabá.
A entrada do Joílson em substituição ao Jackson Caucaia fez o time ocupar o meio de campo.
O Guaru precisa saber o que fazer em campo.
Esperei duas mudanças no intervalo:
- mudança de esquema, com entrada do Léo, no lugar do Jackson e entrada do Joilson no lugar do Charles ou;
- entrada do Léo no lugar do Jackson, do Joilson no lugar do Guaru e do João Gabriel no lugar do Charles, esta a menos provável.
Tínhamos tudo para encerrar a rodada na liderança e com quatro jogos em casa para sermos o primeiro.
Futebol é sério, profissional e competitivo. Não há lugar para paixões ou preferências. Jogam os melhores.
Eu, treinador do Leão, escalaria o time: João Carlos, Eduardo, Fabrício e João Gabriel. Boiadeiro, Heleno, Eslei, Joilson e Donizete. Waldison e Assisinho.

Se for num 4x4x2, decidir qual o zagueiro a jogar ao lado do Fabrício pela esquerda e o Guaru fechando o meio de campo, se ele estiver "a fim" de jogar.
Isso sem falar do penalty...