quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Horizonte 2 X 2 FEC.

Horizonte 2 X 2 FEC.
É o terceiro jogo oficial que assisto do Rei Leão. Todos fora de casa e pela TV.
Continuo com uma boa impressão. A mesma boa impressão que tive em 2012. Um time raçudo e jogando com extrema aplicação.
Lembro que estragaram tudo com a mesma ladainha de sempre ... "o time é fraco e precisa de contratação". A ladainha já começou. Pedem contratações de peso, colocam jogadores descompromissados no grupo pagando caro, deixam jogadores do elenco com salários atrasados e aumentam a insatisfação. É uma regra infalível para o fracasso.
Quanto ao jogo, vi dois tempos diferentes.
No primeiro o FEC resolveu não forçar o jogo e ficou esperando. Nem sempre é uma boa tática. Ficou um jogo lento, com o Paraíba e o Edinho estragando todas as jogadas com tentativas individuais e "de efeito".
Lembro de um ensinamento do mestre Ferdinando Teixeira: "futebol é coletivo,  ninguém se destaca individualmente em time perdedor".
No primeiro tempo, acredito que os dois laterais ficaram muito presos no meio de campo. Poucas vezes se apresentaram como opção de ataque. Resultado: Robert fixo, Waldison muito aberto na esquerda e Edinho e Marcelinho pelo meio errando demais
O time travou e ficou lento. Retomava a bola e não avançava, ficando preso no meio, apesar do esforço de nosso bom valor, o volante Walfrido.
Vi hoje dois problemas no primeiro tempo que não havia notado anteriormente: a vulnerabilidade em chutes de longa distância e o mal posicionamento de nosso goleiro. Vi também se repetir o destempero do Guto ao reclamar acintosamente em jogada “besta” no meio de campo. Serenidade não é excludente da raça.
Gostei muito da participação dos atacantes na marcação quando da perda da posse de bola. Gostei mais ainda do compromisso com a marcação por parte do Edinho e do Marcelinho. Marcaram pelo meio, quando preciso, e ocuparam as meias esquerdas e direitas do Horizonte.
Como resultado, retomamos várias bolas e iniciamos o contra-ataque com boas chances de marcar.
Na volta para o segundo tempo teria cometido um erro. Teria tirado o Guto e feito a estreia do Magal. O Guto jogou demais no segundo tempo. O Walfrido manteve o padrão e fez outra ótima partida.
Discordei de nosso treinador ao colocar o Diego no lugar do Paraíba. Teria colocado o Danilo Rios, pois precisávamos melhorar nossa articulação.
Uma outra ideia seria a colocação do Romarinho no lugar do Robert e a entrada do Fernandinho no lugar do Edinho.
Mesmo jogando com três centroavantes, não lembro de grande vantagem nas bolas cruzadas na área do Horizonte. Talvez fosse a hora da pressão com velocidade.
O Cametá melhorou bastante no segundo tempo, sendo sempre agudo e constante, pois modificou seu posicionamento.
Os gols sofridos não foram em decorrência de fragilidade do sistema de marcação. Credito mais a erros individuais de nosso goleiro. No primeiro, um chute de longe, que já era a quinta tentativa. No outro uma saída de bola apressada e sem atenção.
Tivemos a chance de sair na frente do placar. Também tivemos chance de levar 2 X 0. O Rei Leão demonstrou força no segundo tempo e poderíamos ter vencido.
Uma lição fica para o garoto bom de bola Walfrido: em jogadas dentro da área se deve evitar ao máximo a utilização dos braços e mãos em contato com adversários. A final de 2012 ainda está viva como lição.
O placar me incomoda, mas fico mais preocupado quando vejo o FEC ganhando no abafa, sem convencer.
Tenho ficado convencido pelo conjunto do time. Claro que não é o time para disputar a série A, mas é um time que apresenta condições de encorpar, com bons jogadores, dentro de nossa realidade. É o que podemos pagar hoje.
Alguns imbecis da crônica esportiva não conseguem compreender as mudanças ocorridas no futebol profissional. Não existe jogador por aí, de "bobeira". Todos tem empresários e a maioria não tem intenção de colocar jogador na série C.
Não há dinheiro sobrando. Não há jogador bom e barato. Temos de ter paciência e contratar jogador que valha a pena. Precisamos ter responsabilidade com os jogadores que hoje estão aqui.
Não faço programa de auditório e não preciso convencer anunciante. Não preciso inventar crise. Ganhar campeonato é circunstância, disputar a final é obrigação. E vamos disputar a final e ganhar.
Também não sou político para ficar fazendo cortesia com chapéu alheio e propondo baboseiras, mas ficar com propostas populistas dando prazo para a diretoria contratar, que a torcida faria 1000 sócios torcedores é dose.

Quinta estarei no Alcides Santos para sentir o maravilhoso clima de torcer pelo Leão.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Itapipoca 1 X 3 Fortaleza Esporte Clube

Itapipoca 1 X 3 Fortaleza Esporte Clube

Primeiro jogo oficial que assisto do FEC em 2014. Confesso que gostei.
Duas coisas me chamaram atenção:
- a primeira foi a vontade e o prazer de jogar. Jogadores profissionais, mas jogando com paixão;
- a segunda foi a determinação tática. Quando atacava, havia uma definição de postura. Havia consciência no que fazer.
São duas qualidades essenciais num time vitorioso.
Não sou menino. Meu primeiro jogo foi em 1973 no PV. Pela primeira vez meu pai me levava ao estádio. Foi paixão, que até hoje se mantém e cada vez mais viva.
Sei das fragilidades dos adversários, mas lembrando que em 2013 os confrontos com os pequenos foram uma lástima. Ou esqueceram?
Quanto ao jogo, vi um time vibrante, com apetite de jogo, apesar da maratona de jogos. Todos querendo mostrar serviço.
Atacando com velocidade e variação, alternando jogadas em profundidade com jogadas pelas laterais.
Vi um ataque que cercava, dificultando a saída de jogo do adversário, com os dois meias recuando em auxílio aos volantes.
Gostei do que vi do Evandro, Danilo Rios e Diogo Neves. Pareceram jogadores capazes de compor o elenco. Serão úteis Todos estavam sem ritmo e o campo de jogo muito duro.
Mas também vi problemas, principalmente na defesa.
O goleiro mostrou serviço quando exigido. Acredito que seja hora de encerrar de vez algumas especulações.
O garoto Max também mostrou serviço e creio que merece outras oportunidades para engrossar o cangote.
Individualmente não estamos mal. Talvez com o tempo e aparecendo uma oportunidade de qualificar, fosse uma boa ideia a contratação de outro zagueiro, preferencialmente destro.
Mas o principal problema foi com a bola rolando. Mantendo o erro de 2013, o time mostrou muita fraqueza nos lances rápidos com inversão do lado do campo e cruzamento na sequência.
Para mim, parece que os laterais fecham demais e que não ocorre a marcação, que deveria ser feita por algum dos meias ou volantes.
Se um dos volantes não sai na marcação do lateral adversário quando a jogada é invertida, ou se só sai o lateral na marcação, há uma desorganização na marcação no interior da área.
Minha sugestão: quando houver condição, o meia disponível sai com a função de cercar, enquanto o volante e o lateral se preparam para conter o ataque.
O meia se posiciona de forma a evitar que a bola seja alçada na frente da área. Resta ao lateral adversário ir em direção a linha de fundo. Nosso lateral sai no combate, enquanto o segundo volante se posiciona na cobertura e o primeiro volante se junta aos dois zagueiros e o outro lateral.
Se o meia não pode ir, cabe a tarefa ao segundo volante e os dois meias cobrem a intermediária a frente do gol.
Mas é preciso tempo para treinar e automatizar as jogadas. Fico feliz com o potencial.
O começo tem sido melhor que o esperado e, boa parte do mérito cabe a nosso treinador, que tem agido com muita serenidade e tem mostrado uma virtude rara: liderança sem autoritarismo.
E esse é o grande papel do treinador: ser líder.
No mais, é não estragar o clima, que está muito bom, com contratações “bombásticas” e ir pegando corda.
Contratar? É claro. Mas contratações necessárias e qualificadoras. Dinheiro é objeto raro. Chega de se contratar por contratar, sem se dar chances no elenco.

Provavelmente não assistirei ao jogo da quarta, mas com o ouvido colado e vibrando com o Leão.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Nunca vi um time tão complicado

Nunca vi um time tão complicado. Não pode haver perspectivas de melhoras, que os " doidins" de sempre crescem os olhos.
Particularmente não compraria um carro usado do Sr. Osmar Baquit. Não confio nele como cidadão, por representar um tipo de “liderança” que ainda teima em existir no Ceará e no Nordeste. Triste como político. É o tipo de político que só faz mal ao Brasil. Nunca verá um voto meu.
O Sr. Renan Vieira quer ser lembrado por um tetra campeonato conseguido na sorte, mas prefiro lembrar como responsável pela queda para a terceirona, pela perda de autoestima da torcida, pela desorganização das categorias de base e por uma herança administrativa, financeira e trabalhista desastrosa, que ainda hoje apresenta sequelas.
De triste lembrança a sua passagem.
Não conheço o ex-diretor de futebol, Sr. Adaílton Campelo, mas creio que ele estava fazendo um trabalho sério e paciente. Deve ter sido vítima da mesma forma que Stélio Jr. foi. Sentir-se traído e sacaneado é uma péssima sensação. Stélio Jr. foi vítima de sacanagem, mas ele preferiu sair sem atirar.
Vários personagens tem se afastado dessa diretoria, apesar do amor ao Leão. E isso é um prejuízo para o futuro.
Não sei se há algo ligado a discussão envolvendo colaboradores na contratação do Paraíba. Mas não posso descrer. Uma vaidade e necessidade de aparecer que é, desculpas pelo termo, de "lascar".
Espero que nosso novo diretor de futebol pense no futuro do Leão. Temos uma boa base.
Não foi planejado por essa diretoria, que na realidade não planeja nada, mas a atual situação de não disputar nenhuma competição nacional, exceto a série C, tem nos ajudado.
Não imagino Edinho, Walfrido, Romarinho e Laertes compondo o banco/time, se estivéssemos disputando o Nordestão. Haveria pressão da torcida e imprensa, e teríamos contratado uma “ruma” de bonde sem futuro.
Moro em Jericoacoara e ainda não vi esse time jogar. Vi apenas o primeiro jogo-treino.
Espero que o novo diretor de futebol não pegue corda. Espero que esqueça de ex-jogador do ceara. É algo inexplicável por parte do Sr. Renan. Espero que ele entenda que contratação é em função da necessidade do time e não de radialista para animar programa.
Temos um time e quase um elenco que, com certeza, disputará as finais do cearense 2014.
Não certeza de vitória na final, então, nenhuma contratação cara agora dará essa garantia.
Agora é hora de paciência e garimpo. Contratar para o elenco e pensando no grupo. Esquecer o oba-oba e os microfones. Deixar claro para o elenco que todos são partícipes e que haverá contratações pontuais e que o grupo tem a confiança.
Ainda temos um goleiro para estrear e tem radialista "doidin" atrás de noticia da contratação do Fernando Henrique. Seria péssimo para o grupo nesse momento. Seria um gasto desnecessário.
Precisamos de um zagueiro. Mas se for melhor do que os que estão no elenco e, de preferência, que seja canhoto. Não sei se o Luiz Gustavo joga pela direita ou o garoto da base Max joga. Se não, também precisamos de um zagueiro pela direita.
contrataria um volante se fosse melhor que os que temos. O Walfrido tomou conta da posição.
Não vejo atacantes para serem contratados e que sejam melhores do que os que estão aqui. Se aparecer um bom negócio ... É outra estória.
O Romarinho acabou de renovar o contrato. O Edinho tem contrato ate 2016, se não me engano. Não sei do contrato do Walfrido.
Um conselho, ou sugestão: após a primeira fase e, com a certeza da conquista dos dois pontos e da vaga na Copa do Brasil 2015, chamem os pais do Edinho, Romarinho e Walfrido e discutam um novo contrato com um aumento suficiente para que eles se sintam importantes e valorizados, mas insuficiente para que a situação atrapalhe a vida deles.
Outro conselho: cuide da base.
Acompanho os jogos dos campeonatos paraibano, pernambucano, baiano, maranhense, paraense, mas não consigo sintonizar uma emissora de Fortaleza. É impressionante, sintonizo até emissora de Juazeiro do Norte, mas de Fortaleza é um sacrifício.

Sou obrigado a ouvir a Verdinha pela Sky.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A falácia da adequação do calendário do futebol brasileiro


Atualizado em sexta-feira, 10 de janeiro de 2014 - 16h51

Adequação do calendário é falta de bom senso

Para evitar o frio, europeus estudam ter jogos no verão / Bulent Kilic / AFPPara evitar o frio, europeus estudam ter jogos no verãoFoto: Bulent Kilic / AFP
Por Fábio Piperno (*)

Sempre achei uma bobagem a adequação do calendário do futebol brasileiro ao europeu. Jamais ouvi um argumento convincente. E agora, o antigo astro alemão Karl-Heinz Rummenigge esquenta mais a discussão ao defender mudanças na Europa e mais jogos para os meses de verão.

Não faltam credenciais ao ex-craque. Executivo do Bayern de Munique, foi Bola de Ouro na Europa em 1980, vice-campeão do mundo em 1982/86 e certamente o nome de mais prestígio no futebol germânico na década de 80. Com mais de 300 jogos pelo Bayern na Bundesliga, fala com a autoridade de quem cansou de correr em direção ao gol rival em gramados cobertos pela neve.

Para Rummenigge, os países da Europa cometem um grave erro quando praticamente abdicam de jogar no verão. "Em todo lugar, seja na Alemanha, França ou Inglaterra, o verão é o melhor período do ano. No inverno mais rigoroso, quando está muito frio e nevando, nós jogamos praticamente o tempo todo em condições desagradáveis para atletas e torcedores, o que não é lógico".

Ele defende um calendário mais parecido com o da americana Major League Soccer. Na MLS, a bola vai rolar a partir de 8 de março. E o mais importante é que ninguém vai parar no verão, período de férias escolares, quando o público tem naturalmente muito mais tempo para o entretenimento.

Por aqui, os argumentos elencados pelos defensores da adequação ao calendário europeu continuam inconsistentes. Há quem diga que a mudança deixaria os empobrecidos clubes brasileiros menos vulneráveis nas janelas de mercado. Com isso, os elencos sofreriam menos desfalques no decorrer do campeonato nacional. Bobagem. Na Europa há duas janelas de mercado e o dinheiro dos clubes mais ricos é mais do que suficiente para contratar brasileiros em julho, agosto e janeiro. Contra isso, não há mudança de calendário que resolva.

A segunda falácia é a questão da adequação às datas Fifa. O argumento dos defensores da mudança é que o nosso calendário obriga os clubes daqui a jogar nas datas das partidas entre seleções. Engano. Data-Fifa pode ser preservada em qualquer situação. A incompatibilidade brasileira decorre do excesso de jogos e não da época em que os campeonatos começam. Com menos jogos se evitaria o problema de ter clubes em campo no mesmo instante em que a seleção atua.

Cai por terra também a conversa de que a adequação permitiria aos brasileiros excursionar pela Europa, resgatando um hábito bem comum de décadas atrás. As excursões podem muito bem ocorrer se for aberta uma janela de duas semanas na segunda quinzena de agosto, algo bem possível se o atual calendário por apenas racionalizado.

Por fim, não podemos esquecer de algumas vantagens com o formato atual. Começando a temporada no final de janeiro ou início de fevereiro, os (poucos) selecionáveis que aqui atuam chegarão à Copa do Mundo muito menos desgastados do que aqueles que jogam na Europa. Como os torneios do Velho Continente acabam poucos dias antes da Copa, todos os convocados desembarcam exauridos. E não podemos nos esquecer da questão cultural. 

Todos nós que atuamos com futebol, sejam profissionais da bola, de suporte técnico e da imprensa esportiva, gostamos das férias de verão. Será que deveríamos renunciar à totalidade do período do período mais ensolarado apenas para ficarmos bem na foto com a Europa e com seus fãs deslumbrados que se multiplicam por aqui? Não creio. 

O calendário atual do futebol brasileiro é uma agressão ao bom senso. Está inchado de eventos ruins, o que prejudica jogadores e não motiva torcedores. Precisa de reformulação e não de simples alinhamento com um continente de práticas e tradições bem diferentes das nossas.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

E o Leãozinho estragou minha manhã de domingo

Confesso, com tristeza, que assisti ao jogo do sub-19 do Leão contra o CRB de Maceió.
Esperava mais. Espero sinceramente que a garotada não tenha abandonado os estudos, porque imagino que o futuro deles esteja fora dos gramados.
Confesso também que, baseado no primeiro jogo, e com muita boa vontade, além de respeitar o passado de alguns deles, eu talvez colocasse três jogadores junto aos profissionais. Compreendo a idade e o nervosismo, mas já podem ir fazer o chek-in e pegar o vôo de volta.
Se não me engano, o Ebelardo era um segundo volante pela esquerda, hoje jogou de zagueiro, e mal. O Bebeto, nem de longe lembrou o Bebeto que vi algumas vezes atuando junto a Edinho e Romarinho. Um que não conhecia e apostaria algumas fichas é o Carlos Henrique.
Aconselho com tristeza a que o restante aposte nos estudos.
Creio que a situação seja reflexo desta diretoria.
É a velha estória … quem não sabe para onde ir, qualquer caminho está bom. Não há colheira sem semeadura … não há lucro sem investimento.
Ou se tem um trabalho sério e paciente de busca e lapidação de talentos, ou ficaremos só fazendo de contas que se tem um trabalho de base.
No jogo, o Leãozinho foi um time sem capacidade e sem noção.
Não tinha capacidade de dominar a bola com qualidade, dar um passe com qualidade e marcar com eficiência. Não articulava nada e praticamente não incomodou a defesa alagoana.
Não tinha noção de espaço e nem de tempo de bola.
O ataque não atacava e não marcava. O meio de campo não conseguia compreender o ritmo do jogo. A defesa coitada, apenas corria atrás em algumas oportunidades, na maioria, apenas olhava a bola passar de um lado para outro.
Um time desfibrado e sem proposta.
Não sei como se dá o trabalho de base, mas parece claro as deficiências nos fundamentos.
Não sei qual a proposta de treinamento, mas é triste ver um time que não consegue marcar o toque de bola do adversário. Ver um time onde o meio de campo não consegue articular nada e o ataque dá pena. Poderia ter sido de oito ou dez, sem nenhum exagero.
Futebol é coletivo, mas coletivo não é sinônimo de bando ou ajuntamento. Há definições de funções e obrigações. É preciso a compreensão da necessidade de marcação conjunta e ocupação de espaços. É preciso atenção e deslocamentos. Não há espaço para um time estático.
Mais do que títulos conquistados, é fundamental a preparação e o aprimoramento da garotada para o futebol profissional. Mais isso tem a ver com a atenção e a filosofia de uma diretoria.
Não me interessa, como comandante de meu time, contratar 40 a 50 jogadores profissionais por ano. Interessa ter uma base e enxertar, contratando cinco ou seis bons e promissores jogadores no início da temporada.
Esses dias estava vendo que o FEC faria uma peneirada e exigiria do garoto pretendente a jogador profissional o pagamento de uma taxa e que trouxesse seu material.
Será que essa é a melhor maneira de descobrir talentos?
Que tal mudar o foco. Que tal ter um time sub-17 sempre pronto para jogar amistosos, seja no interior e ou na periferia, e descobrir talentos a partir destes jogos. Que tal ter um programa constante e gratuito de peneira, cedendo material e um lanche aos garotos. Que tal ter observadores na periferia e no interior.
Voltando ao que já foi dito: não se colhe sem semeadura … isso se chama extrativismo e não é sustentável.
Só que para isso a diretoria deveria ter um plano … ou no popular, ter uma filosofia de trabalho.
Desde o Ribamar que nossa diretoria adora microfones e entrevistas anunciando contratações de jogadores que não oferecem, com as exceções de sempre, a menor perspectiva, sempre apontando para o prejuízo. A imprensa não gosta da forma de trabalhar de diretores tipo Rochinha, e já demonstrou isso com críticas ao nosso atual diretor.
Contratação toda semana só é bom para a imprensa.
Reafirmando, foi triste ver o que vi hoje.

Não há perspectivas neste elenco sub-19, ou poderíamos dizer de maneira mais contundente, que 2013 também foi um ano perdido nas categorias de base do Leão.

sábado, 4 de janeiro de 2014

A gentrificação no futebol

Publico texto do Observatório da Imprensa.

http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed779_a_gentrificacao_no_futebol

A gentrificação no futebol

Por João Batista de Abreu em 31/12/2013 na edição 779
Este texto é uma condensação de artigo do livro Políticas públicas e pluralidade na comunicação e na cultura, com previsão de lançamento em março de 2014 pela editora E-papers

O futebol brasileiro vive hoje um processo semelhante ao que os urbanistas e geógrafos chamam de gentrificação, ou seja, o processo de se apropriar de áreas degradadas de uma metrópole, expulsar os pobres, reurbanizar e depois revendê-las às camadas médias ou à elite, com investimentos públicos em infraestrutura.
Basta olhar o que acontece com os estádios de futebol. Quarenta anos atrás, o Brasil orgulhava-se de possuir os maiores estádios do mundo. Tivemos jogos com quase 200 mil pessoas, como Brasil e Uruguai, na final da Copa do Mundo de 1950; Brasil 1x0 Paraguai em 1969, pelas eliminatórias da Copa do ano seguinte; e Flamengo 0x0 Fluminense, em 1963, na decisão do Campeonato Carioca. Todos no Maracanã, onde oficialmente cabiam 150 mil pessoas entre arquibancada, geral e cadeiras.
O que vimos nos últimos dez anos começou na Europa e atravessou o Atlântico. A maioria dos estádios encolheu para satisfazer as exigências de um modelo que privilegia pequenas camadas sociais em condições de pagar caro pelo ingresso e assistir passivamente a um espetáculo. As áreas populares, como a geral, deram lugar a camarotes e a espaços vip. O preço dos ingressos saltou mais de 300% em dez anos, para uma inflação que nem chegou a 50%. Aquele torcedor da geral, rádio de pilha colado ao ouvido – eternizado pela teleobjetiva do cinejornal Canal 100 – ficou no passado. O que os administradores privados desejam é o torcedor comportado, que não carrega bandeiras, só se levanta na hora de gritar gol e aceita pagar taxas caras para usar o estacionamento do estádio em cidades onde o transporte público está abaixo da crítica.
O futebol brasileiro sofreu um processo de europeização, com a aprovação ou o silêncio da imprensa esportiva, que em sua grande maioria embarcou no discurso neoliberal da globalização do futebol. Vários argumentos tentam justificar o aumento dos ingressos: a comparação com as entradas de teatro, a necessidade de compensar os clubes que perderam receita com o fim do passe do jogador após a Lei Pelé, e até mesmo a referência aos ingressos do futebol europeu, onde a libra e o euro são moedas muito mais valorizadas que o real.
O imponente palco de grandes clássicos, erguido em 1950 para a primeira Copa do Mundo no Brasil, diminuiu sua capacidade de 150 mil para 79,8 mil pessoas. Áreas populares foram eliminadas. A geral desapareceu por exigência da Fifa em nome da segurança. Os ingressos sofreram valorização absurda. No caso do Rio de Janeiro, o Brasil só jogará no estádio Mário Filho se chegar à final. Imagine o nível de frustração se a final for, por exemplo, entre Argentina e Itália.
Dos estádios para a TV
Mas por que isso acontece? Alguns números ajudam a entender o processo. É claro que quando se reduz a capacidade do estádio e se aumenta o valor dos ingressos, impõe-se ao torcedor um novo modelo de participação. E que modelo é este? A televisão. Uma forma confortável de assistir ao espetáculo, mas a distância. Você passa a ser um torcedor da poltrona. É por isso que chamo esse fenômeno de gentrificação do futebol – a expulsão dos torcedores pobres dos estádios e sua migração para outras localidades, físicas ou virtuais.
E onde se localiza essa nova periferia? Na televisão, tanto no canal aberto, como na TV por assinatura. A periferia não se concentra nos lares. Pode expandir-se também pelos bares e botequins, hoje quase todos dotados de aparelhos de tela plana, ou ocupar os cinemas, uma tendência que começa a ganhar espaço nos grandes centros.
A categoria “torcedor de futebol” vai além do frequentador de estádio, sócio de clube ou consumidor de produtos licenciados. Abrange uma gama de pessoas que acompanham o time, a negociação de jogadores, enfim, o noticiário que envolve o cotidiano do esporte mais popular no Brasil. Não é à toa que a maioria dos diários de grande circulação mantém um caderno de esporte que impulsiona a venda às segundas-feiras, principalmente quando um time de grande torcida vence no domingo. Neste caso, o jornal, mais do que informação, oferece catarse.
Quem lucra com isso? A emissora e os anunciantes, que se beneficiam da audiência para conquistar cada vez mais consumidores. O importante é consumir os produtos veiculados durante a transmissão. Os anúncios da TV e o merchandising no uniforme dos jogadores ganham mais visibilidade, na medida em que o diretor de TV tem a capacidade de selecionar o que o espectador deve ver, tanto no que diz respeito ao enquadramento quanto no tempo de exposição.
O Brasil tem 15 milhões de domicílios dotados de TV por assinatura. Desses, 59% lares recebem o sinal por satélite e os outros 41%, por cabo. A Região Sudeste é a que ostenta o maior número de assinantes, com 9,5 milhões de lares, porém a que mais cresceu em 2012 foi a Região Norte: 45% contra 27% da Região Sudeste.
Curiosamente, a imprensa esportiva brasileira se mantém a distância dessa discussão, em parte pelos compromissos que envolvem os grandes conglomerados de comunicação, que congregam jornais, revistas, emissoras de rádio e TV, e em parte também porque muitos de nossos cronistas se deixam contagiar cada vez mais pela organização europeia do futebol, propondo, entre outros absurdos, o fim dos campeonatos regionais. Quanto aos benefícios deixados à população pelos grandes eventos, a exceção que merece registro é a série de reportagens “(Re)legado do Pan”, do jovem repórter Lucas Calil, publicada no diárioExtra e vencedora do Prêmio Petrobras de Jornalismo na categoria esportes, sobre o legado dos Jogos Pan-americanos realizados no Rio de Janeiro em 2007.
Enfim, a gentrificação como fenômeno social impulsionado pela expropriação do solo urbano expande seu raio de ação para os espaços populares de entretenimento, empurrando os “desabrigados” para o campo virtual da televisão. O calor humano e a vibração seguem para o vestiário. No lugar deles entra o consumo.
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Jornalista e professor da Universidade Federal Fluminense