Publico o post abaixo que fala sobre as falácias ditas por alguns jornalistas esportivos.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014 - 16h38
Atualizado em sexta-feira, 10 de janeiro de 2014 - 16h51
Atualizado em sexta-feira, 10 de janeiro de 2014 - 16h51
Adequação do calendário é falta de bom senso
Por Fábio Piperno (*)
Sempre achei uma bobagem a adequação do calendário do futebol brasileiro ao europeu. Jamais ouvi um argumento convincente. E agora, o antigo astro alemão Karl-Heinz Rummenigge esquenta mais a discussão ao defender mudanças na Europa e mais jogos para os meses de verão.
Não faltam credenciais ao ex-craque. Executivo do Bayern de Munique, foi Bola de Ouro na Europa em 1980, vice-campeão do mundo em 1982/86 e certamente o nome de mais prestígio no futebol germânico na década de 80. Com mais de 300 jogos pelo Bayern na Bundesliga, fala com a autoridade de quem cansou de correr em direção ao gol rival em gramados cobertos pela neve.
Para Rummenigge, os países da Europa cometem um grave erro quando praticamente abdicam de jogar no verão. "Em todo lugar, seja na Alemanha, França ou Inglaterra, o verão é o melhor período do ano. No inverno mais rigoroso, quando está muito frio e nevando, nós jogamos praticamente o tempo todo em condições desagradáveis para atletas e torcedores, o que não é lógico".
Ele defende um calendário mais parecido com o da americana Major League Soccer. Na MLS, a bola vai rolar a partir de 8 de março. E o mais importante é que ninguém vai parar no verão, período de férias escolares, quando o público tem naturalmente muito mais tempo para o entretenimento.
Por aqui, os argumentos elencados pelos defensores da adequação ao calendário europeu continuam inconsistentes. Há quem diga que a mudança deixaria os empobrecidos clubes brasileiros menos vulneráveis nas janelas de mercado. Com isso, os elencos sofreriam menos desfalques no decorrer do campeonato nacional. Bobagem. Na Europa há duas janelas de mercado e o dinheiro dos clubes mais ricos é mais do que suficiente para contratar brasileiros em julho, agosto e janeiro. Contra isso, não há mudança de calendário que resolva.
A segunda falácia é a questão da adequação às datas Fifa. O argumento dos defensores da mudança é que o nosso calendário obriga os clubes daqui a jogar nas datas das partidas entre seleções. Engano. Data-Fifa pode ser preservada em qualquer situação. A incompatibilidade brasileira decorre do excesso de jogos e não da época em que os campeonatos começam. Com menos jogos se evitaria o problema de ter clubes em campo no mesmo instante em que a seleção atua.
Cai por terra também a conversa de que a adequação permitiria aos brasileiros excursionar pela Europa, resgatando um hábito bem comum de décadas atrás. As excursões podem muito bem ocorrer se for aberta uma janela de duas semanas na segunda quinzena de agosto, algo bem possível se o atual calendário por apenas racionalizado.
Por fim, não podemos esquecer de algumas vantagens com o formato atual. Começando a temporada no final de janeiro ou início de fevereiro, os (poucos) selecionáveis que aqui atuam chegarão à Copa do Mundo muito menos desgastados do que aqueles que jogam na Europa. Como os torneios do Velho Continente acabam poucos dias antes da Copa, todos os convocados desembarcam exauridos. E não podemos nos esquecer da questão cultural.
Todos nós que atuamos com futebol, sejam profissionais da bola, de suporte técnico e da imprensa esportiva, gostamos das férias de verão. Será que deveríamos renunciar à totalidade do período do período mais ensolarado apenas para ficarmos bem na foto com a Europa e com seus fãs deslumbrados que se multiplicam por aqui? Não creio.
O calendário atual do futebol brasileiro é uma agressão ao bom senso. Está inchado de eventos ruins, o que prejudica jogadores e não motiva torcedores. Precisa de reformulação e não de simples alinhamento com um continente de práticas e tradições bem diferentes das nossas.
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