Confesso,
com tristeza, que assisti ao jogo do sub-19 do Leão contra o CRB de
Maceió.
Esperava
mais. Espero sinceramente que a garotada não tenha abandonado os
estudos, porque imagino que o futuro deles esteja fora dos gramados.
Confesso
também que, baseado no primeiro jogo, e com muita boa vontade, além
de respeitar o passado de alguns deles, eu talvez colocasse três
jogadores junto aos profissionais. Compreendo a idade e o nervosismo,
mas já podem ir fazer o chek-in e pegar o vôo de volta.
Se
não me engano, o Ebelardo era um segundo volante pela esquerda, hoje
jogou de zagueiro, e mal. O Bebeto, nem de longe lembrou o Bebeto que
vi algumas vezes atuando junto a Edinho e Romarinho. Um que não
conhecia e apostaria algumas fichas é o Carlos Henrique.
Aconselho
com tristeza a que o restante aposte nos estudos.
Creio
que a situação seja reflexo desta diretoria.
É a
velha estória … quem não sabe para onde ir, qualquer caminho está
bom. Não há colheira sem semeadura … não há lucro sem
investimento.
Ou
se tem um trabalho sério e paciente de busca e lapidação de
talentos, ou ficaremos só fazendo de contas que se tem um trabalho
de base.
No
jogo, o Leãozinho foi um time sem capacidade e sem noção.
Não
tinha capacidade de dominar a bola com qualidade, dar um passe com
qualidade e marcar com eficiência. Não articulava nada e
praticamente não incomodou a defesa alagoana.
Não
tinha noção de espaço e nem de tempo de bola.
O
ataque não atacava e não marcava. O meio de campo não conseguia
compreender o ritmo do jogo. A defesa coitada, apenas corria atrás
em algumas oportunidades, na maioria, apenas olhava a bola passar de
um lado para outro.
Um
time desfibrado e sem proposta.
Não
sei como se dá o trabalho de base, mas parece claro as deficiências
nos fundamentos.
Não
sei qual a proposta de treinamento, mas é triste ver um time que não
consegue marcar o toque de bola do adversário. Ver um time onde o
meio de campo não consegue articular nada e o ataque dá pena.
Poderia ter sido de oito ou dez, sem nenhum exagero.
Futebol
é coletivo, mas coletivo não é sinônimo de bando ou ajuntamento.
Há definições de funções e obrigações. É preciso a
compreensão da necessidade de marcação conjunta e ocupação de
espaços. É preciso atenção e deslocamentos. Não há espaço para
um time estático.
Mais
do que títulos conquistados, é fundamental a preparação e o
aprimoramento da garotada para o futebol profissional. Mais isso tem
a ver com a atenção e a filosofia de uma diretoria.
Não
me interessa, como comandante de meu time, contratar 40 a 50
jogadores profissionais por ano. Interessa ter uma base e enxertar,
contratando cinco ou seis bons e promissores jogadores no início da
temporada.
Esses
dias estava vendo que o FEC faria uma peneirada e exigiria do garoto
pretendente a jogador profissional o pagamento de uma taxa e que
trouxesse seu material.
Será
que essa é a melhor maneira de descobrir talentos?
Que
tal mudar o foco. Que tal ter um time sub-17 sempre pronto para jogar
amistosos, seja no interior e ou na periferia, e descobrir talentos a
partir destes jogos. Que tal ter um programa constante e gratuito de
peneira, cedendo material e um lanche aos garotos. Que tal ter
observadores na periferia e no interior.
Voltando
ao que já foi dito: não se colhe sem semeadura … isso se chama
extrativismo e não é sustentável.
Só
que para isso a diretoria deveria ter um plano … ou no popular, ter
uma filosofia de trabalho.
Desde
o Ribamar que nossa diretoria adora microfones e entrevistas
anunciando contratações de jogadores que não oferecem, com as
exceções de sempre, a menor perspectiva, sempre apontando para o
prejuízo. A imprensa não gosta da forma de trabalhar de diretores
tipo Rochinha, e já demonstrou isso com críticas ao nosso atual
diretor.
Contratação
toda semana só é bom para a imprensa.
Reafirmando,
foi triste ver o que vi hoje.
Não
há perspectivas neste elenco sub-19, ou poderíamos dizer de maneira
mais contundente, que 2013 também foi um ano perdido nas categorias
de base do Leão.
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