sábado, 9 de junho de 2018

A raiz do golpe contra a PETROBRAS

A raiz do golpe contra a Petrobras

por André Araújo

Porque a Petrobras se tornou vulneravel a esquemas de achacadores do mercado financeiro novaiorquino que se especializam em extorquir empresas cotadas na Bolsa de Nova York que tenham algum problema de compliance? São sempre os mesmos escritórios, um grupo fechado liderados pela Rosen Law Firm, todos são da mesma etnia, eles escolhem a caça e fundos abutres compram ações PARA PROCESSAR  empresas que tiveram algum desvio ético.

O problema foi CRIADO NO GOVERNO FHC. Não podendo privatizar a Petrobras, desejo intenso desse grupo, abriram o capital na Bolsa de Nova York, privatização indireta,  uma insanidade, na ânsia de parecer moderninho.

A PETROBRAS nada ganhou com isso absolutamente nada. Abriu o capital NÃO LEVANTOU DINHEIRO NOS EUA, apenas quis parecer uma empresa "americanizada", moderninha, de mercado. Seus presidentes ultraneoliberais Henri Reichstul e Francisco Gros, que nada entendiam de petróleo e nada tinham a ver com o setor, tipos com cara de "internacionais" sofisticados, Gros era diretor do banco de investimentos Morgan Granfell e Reichstul um parisiense, ligadíssimos ao mercado financeiro, praticamente estrangeiros no Brasil, figuras exóticas e mal explicadas.

Grandes PETROLEIRAS ESTATAIS como a STATOIL da Noruega, PEMEX do Mexico, ARAMCO da Arabia Saudita, QATAR Oil, do Qatar, , IRAQ NATIONAL PETROLEUm , do Iraque, NIOC , do Irã, RUSSNEFT, da Russia não fizeram essa loucura.

São empresas nacionais, instrumentos de uma estratégia nacional, ABRIR o capital muda toda a lógica da empresa, inves de servir ao Pais vai servir aos especuladores de Nova York e todo seu foco vira do avesso, inves de atender ao Pais que formou e capitalizou a empresa, a abertura do capital em Nova York vai torná-la objeto de especulação financeira, é preciso atender em primeiro lugar ao mercado e não ao País, às agências de rating, à Bloomberg, a empresa se apequena.

O Governo FHC cometeu essa desatino, jogou a PETROBRAS, a troco de nada, na rinha de galos da especulação deslavada, hoje dominada por "hedge" funds, fundos especulativos de todo tipo, abutres, um mundo de corsários e sujeitou a empresa aos caprichos das autoridades e dos juizes americanos que tem a cultura legal de mega indenizações, cem vezes maior que o prejuizo. É um meio jurídico amalucado e nada razoável, estranho aos nossos principios.

O Governo FHC foi absurdamente irresponsável, para atender à "clique" neoliberal da privatização descarada, das Landau, Franco, Gros, Reichstul, Malan, Bacha. Arida, jogou nossa maior e principal empresa no ringue mundial da especulação para nada. O que a Petrobras ganhou ao bater o martelo em Nova York, que vaidade infantil?

Não levantou dinheiro nos EUA, foi só um capricho "olha como somos modernos, estamos listados em Nova York" e lá vai um bando de idiotas basbaques tocar o sino porque a ação entrou no painel, que tolos, a conta jogam para os brasileiros.
A raiz do golpe contra a Petrobras, por André Araújo ? http://jornalggn.com.br/noticia/a-raiz-do-golpe-contra-a-petrobras-por-andre-araujo

Eleições em Cuba

COMO FUNCIONA O SISTEMA ELEITORAL EM CUBA:
https://jornalistaslivres.org/2018/04/como-funciona-o-sistema-eleitoral-em-cuba/

"As eleições municipais/provinciais ocorrem a cada 2 anos e meio. Já as eleições gerais (para a Assembleia Nacional do Poder Popular) ocorrem a cada 5 anos. As últimas ocorreram agora, em março. Em Cuba, o sistema eleitoral é similar ao parlamentarista, ou seja, o povo elege seus deputados, que vão eleger o Conselho de Estado e o presidente. Quem escolhe os candidatos em Cuba não são partidos políticos, e sim o próprio povo, nesta última cerca de 60% se inscreveram sem estarem vinculados à partido algum. Cada circunscrição (formada por um conjunto de bairros) escolhe, em assembleias abertas, um candidato, que irá para as eleições onde todos (cidade/província/país) poderão eleger, ou não, por meio de voto facultativo e secreto. Outro dado interessante é que algumas categorias (trabalhadores, mulheres, estudantes e pequenos agricultores) têm espaços reservados ( como cotas mesmo) no Parlamento. Esses elementos formam parte do que os cubanos chamam de Poder Popular, que preserva o contato permanente entre lideranças e a base. Outro fator importante é que em Cuba a paridade de gêneros é lei e respeitada em todos os âmbitos, cargos públicos, de direção, comando. Assim, as listas de votação obedecem a paridade. Esse ano, a Assembleia Nacional eleita é formada por pouco mais de 53% de mulheres.

Os parlamentares em Cuba, de qualquer nível (provincial ou nacional), não possuem qualquer benefício, nem salário, nada. Geralmente seguem atuando em suas áreas/profissões, ao mesmo tempo em que atuam em suas funções legislativas.

É verdade que Cuba tem um único partido, o PCC. Mas sua função não é executiva, é mobilizadora e de fiscalização das ações do Estado. O PCC formula premissas políticas para o país e envolve a população nas atividades (debates, consultas públicas, etc). Até 1991, o PCC auxiliava na definição de candidatos, mas deixou neste ano de ter essa função.

Não há necessidade de filiação para candidaturas. No ano passado, por exemplo, um conhecido opositor do “Partido Cuba Independente e Democrática”, se candidatou nas eleições municipais, mas obteve votos suficientes para eleger. Na maioria das vezes isso ocorre porque as eleições começam, na primeira fase, com a escolha de delegados (do Poder Popular) nos bairros e é quase sempre aí nesta fase que os opositores ficam, já que raramente obtém votos suficientes no próprio bairro para avançar nas outras etapas.

Yuniel O’farril, que vive em Miami, faz parte de um partido com alguma representação em Cuba, mas vive em Miami, o que dificulta na hora de disputar as fases eleitorais. O bairro não o reconhece como representante. O Partido Liberal também já lançou candidatos, como Silvio Benitez, derrotado em 2007 e 2010, e que também vive em Miami.

É importante dizer que não existe proibição em Cuba de fundação de outros partidos. Não há lei alguma com essa restrição. A questão é justamente a ja mencionada não exigência de filiação partidária para a participação política. Todos os partidos em Cuba são apenas acessórios, incluindo o PCC, não podem indicar candidatos nem fazer campanha. Isso faz com que a maioria dos partidos deixem de existir em poucas semanas, porque terminam não tendo função prática. A intenção de Cuba é fazer com que partidos sejam sempre programáticos, isto é, reflitam diferentes pensamentos políticos no país, e evitar que se transformem em balcões de negócios. Assim, tb o PCC exerce a função de qualquer partido: trabalho de base, pedagógico e de agitação. E até hoje não apareceu outro partido que alcance o mesmo grau de organização e de eficiência que o PCC, apesar dos milhares de dólares injetados todos os anos pelos EUA (valores oficiais, declarados anualmente pelo presidente como “financiamento da oposição democrática em Cuba “, uma aberração em termos internacionais).

Em relação à Fidel, tantas vezes chamado de “ditador”, na verdade foi eleito sucessivas vezes desde 1976. A circunscrição que o lançava era a de Santiago, onde ele nasceu. De lá ele era eleito para o Parlamento, depois indicado ao Conselho de Estado e em seguida reconduzido como presidente.

Raúl, de certa forma admitindo que ninguém alcançaria jamais o status de reconhecimento de Fidel, propôs que o limite de mandatos fosse de dois. Essa medida foi aprovada e passou a valer já para ele, eleito presidente em 2007 e reeleito em 2012. Daí porque esse ano, o novo presidente eleito é Miguel Díaz Canel."

O socialismo, por Antônio Cândido

ANTONIO CANDIDO (1918-2017)

"O socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo… tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: 'o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana'. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na 'Ideologia alemã': as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias… tudo é conquista do socialismo."

Antonio Candido, em entrevista ao jornal Brasil de Fato, 8 de agosto de 2011, "O socialismo é uma doutrina triunfante", por Joana Tavares.

Porque Lula está preso? Explicação a um gringo.

Fernando Horta:

O Brasil de Temer faz a gente passar vergonha. Hoje tentei explicar a um amigo norte-americano o caso Lula.

- E por que Lula está preso?
- Porque um juiz disse que ele recebeu um apartamento como propina.
- Entendi, acharam um apartamento no nome dele...
- Não o apartamento não está no nome dele
- Sim, acharam no nome da esposa...
- Não, não está no nome da esposa também.
- Ok, acharam no nome dos filhos...
- Também não.
- No nome de uma amante?
- Não...
- De um assessor?
- Não.
- Então Lula morava lá e usava o apartamento?
- Nunca ele ou qualquer pessoa passou uma noite sequer no tal apartamento.
- Bom... Quais foram os atos que ele praticou para receber o apartamento?
- O juiz não sabe e tem duas empresas de auditoria internacional que atestaram que não houve nenhum.
- Qual o valor da corrupção toda.
- Eles calculam em 1% do faturamento da Petrobrás. 1,5 bilhões, parece...
- E Lula era o chefe?
- O juiz diz que sim...
- E quando custa o apartamento?
- Um milhão de reais, parece...
- Mas o "chefe" ganhou só isto?
- Não, segundo o juiz ganhou menos porque Lula tinha pago já metade em cotas de imóveis da empresa.
- Então Lula está preso por um apartamento que não é seu, nem de filhos ou parentes, que ele nunca passou uma noite. Nem ele nem parentes. Que o juiz não sabe dizer quais atos de corrupção ele praticou e pelo qual ele já tinha pago legalmente quase metade do custo, é isto?
- Não. Lula tá preso porque tem 59% das intenções de voto.
- Ahhh bom, agora faz sentido... Mas o Brasil prende opositores políticos?
- Sim.
- Mas isto não é democrático.
- Exato, agora tu tá entendendo.
- Mas isto é golpe!
- É sim...
- Mas então temos que fazer alguma coisa!

E Lula acaba fazendo um norteamericano querer entrar na resistência...

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Não precisamos de intervenção militar. Já temos a judicial-midiática

http://www.tijolaco.com.br/blog/nao-precisamos-de-intervencao-militar-ja-temos-judicial-midiatica/

Por Fernando Brito

Janio de Freitas e Teresa Cruvinel, na Folha e no JB, alertam contra o despudor com que se pede uma nova ditadura no Brasil.

“A sem-cerimônia com que a conclamação à “intervenção militar” passou dos testes tímidos, aqui e ali, à explicitude urrada, por voz e por escrito, estendeu-se no país”, diz Janio, advertindo que  é ” grande o risco de que o slogan não saia das ruas em ebulições no futuro próximo. A população mal informada, carente de percepção política e sugada pela crise não pode ser obstáculo à pregação do salvamento ilusório”.

Cruvinel avisa que “há mais que discurseira irresponsável nessa loucura. E já tendo o país sangrado tanto, já tendo o governo errado tanto, tem a obrigação de identificar e punir os que atentam contra as democracia. A Constituição considera crime inafiançável e imprescritível (artigo 5º., inciso XLII) “a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático”.

Mas quem é o “pai da criança” das pseudosoluções à força senão o sistema judicial-midiático que, tal como pregam que os militares o façam, assenhoreou-se da vida brasileira e fez substituir a legitimidade dada pelo voto pela legalidade de sua vontade e de seus propósitos?

Claro e evidente está que os adeptos da ditadura, sem o aspecto tosco dos que pedem um regime militar – de resto anacrÔnico como forma de dominação em pleno século 21 e sua irreprimível capacidade de comunicação – são outros.

Pouco importa que usem a lei e a Constituição como escudo, se a umas e à outra moldam e fazem funcionar segundo sua vontade?

Não tem impeachment sem crime de responsabilidade? Cria-se um, de nome jocoso: “pedaladas”. Não há posse ou propriedade de um apartamento a provar corrupção? “Atribui-se” um a Lula. Há gravações de malas de dinheiro, de que “a gente mata ele antes que faça delação”, há contas de milhões na Suíça? Solte-se e se empurre com a barriga, porque estes não são “daqueles” que interessam.

Estamos mesmo numa democracia, ainda? Formalmente, pode ser, por enquanto, porque ainda não se cancelaram, senão pela interdição do candidato favorito, as eleições.

Mas como dizer que temos um regime democrático se a política, ferramenta com a qual se o exerce, está acuada em um canto, torcendo para que jornais, tevês e juízes não lhes apontem o dedo e decretem a execução de quem quiserem?

Não são os lunáticos hidrófobos que ameaçam a democracia e a liberdade no Brasil. Eles são produto de algo muito pior: a glorificação da estupidez e a moralidade dos cínicos, cúmplices e beneficiários de um sistema de espoliação do Brasil que é, perdoem-me a grosseria, com um “vende esta merda”, como se este não fosse, ao menos para a imensa maioria, o país que temos e no qual estamos fadados a viver e criar filhos e netos.