segunda-feira, 4 de agosto de 2014

E a copa se foi.

E a copa se foi.

Lições foram deixadas, mas não acredito no aprendizado por parte do futebol brasileiro, a começar pelos dirigentes dos times, que continuarão a enxergar apenas seus umbigos e não vendo o futebol brasileiro como um todo, se vendendo barato a Rede Globo, com cada vez menos audiência e menos torcedor nos estádios.
Nosso “excepcional” treinador diz que não houve erros, que foi apenas um apagão e que faria tudo novamente, da mesma forma e tomaria de sete novamente. É difícil acreditar em mudanças quando a CBF ainda cogita a permanência do Felipão.
Vou a estádios desde 1973 e, por um momento, cheguei a acreditar que não entendia mais de futebol.
A seleção brasileira apresentou problemas com a posse de bola e controle do jogo desde o primeiro jogo. Assisti a todos, menos o jogo contra Camarões, pois estava embriagado demais.
Um problema saltava aos olhos: a ausência de meio de campo. Não é possível imaginar um time vencedor sem meio de campo. Os dois laterais subiam sem proteção. O David Luiz não compreendia sua função de zagueiro. O Luiz Gustavo jogava como terceiro zagueiro e o Oscar, o Neymar, o Hulk e o Fred acreditaram na lenda de que quem tem de marcar é o adversário do Brasil, não eles.
Resumindo: era time que atacava sem consequência e não se recompunha quando da perda da bola.
A derrota era iminente.
Escapou por pouco contra o Chile. O segundo tempo deu pena. O Chile fez o que quis. Escapou com uma bola no travessão no último minuto.
Contra a Colômbia, não sei se por obra do acaso, o Neymar veio jogar no primeiro tempo como meia, chamando o jogo e proporcionando espaços para atacar com o controle da posse de bola.
Mesmo jogando seu melhor futebol, ainda foi com uma cobrança de escanteio que saiu o primeiro gol.
Foi o jogo onde fiquei em dúvidas sobre minha capacidade de compreender e analisar um jogo de futebol. Ouvir de comentaristas e de ex-jogadores que o Hulk voltava para auxiliar o meio de campo, desculpe o termo, mas foi de lascar.
Quando o Neymar volta do intervalo e volta a jogar avançado, foi outro “Deus nos acuda”, salvo por um improvável gol de falta.
Não sei quando se acabará com esse chavão de que time com três zagueiros é defensivo e time com quatro atacantes é ofensivo. Isso é uma loucura.
Outro fator decisivo para a enfiada de sete foi a empáfia. Não estudar a forma de jogar do adversário é um absurdo. A Alemanha mostrou-se, desde o início da copa, um time compacto e organizado, com alguns muito bons jogadores. Desconhecer o potencial alemão foi erro fatal.
Outro problema é o treinador pousar de babaca na beira de campo gesticulando. Essa é uma hora de ação. Ou muda o time ou manda alguém cair para reorganizar, pois as leis do futebol de campo não permitem uma pedida de tempo.
Mas ele não entendia o que ocorria. Acreditava que o time estava bem.
Enfim, uma copa sem grandes surpresas, exceto Espanha e Itália voltarem cedo para casa. Ganhou o melhor time. Ganhou o time que valoriza o jogo. Ganhou o time mais organizado. Ganhou o time que começou errado e se consertou, com o Lahn escalado de volante, corrigido a partir do jogo travado e pela grita da torcida.
A Argentina, mesmo inferior, mostrou a importância de um time bem organizado a partir da defesa, podendo ter ganho se tivesse um pouco mais de capricho.

PS: escrito logo após a final da copa

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