E
a copa se foi.
Lições
foram deixadas, mas não acredito no aprendizado por parte do futebol
brasileiro, a começar pelos dirigentes dos times, que continuarão a
enxergar apenas seus umbigos e não vendo o futebol brasileiro como
um todo, se vendendo barato a Rede Globo, com cada vez menos
audiência e menos torcedor nos estádios.
Nosso
“excepcional” treinador diz que não houve erros, que foi apenas
um apagão e que faria tudo novamente, da mesma forma e tomaria de
sete novamente. É difícil acreditar em mudanças quando a CBF ainda
cogita a permanência do Felipão.
Vou
a estádios desde 1973 e, por um momento, cheguei a acreditar que não
entendia mais de futebol.
A
seleção brasileira apresentou problemas com a posse de bola e
controle do jogo desde o primeiro jogo. Assisti a todos, menos o jogo
contra Camarões, pois estava embriagado demais.
Um
problema saltava aos olhos: a ausência de meio de campo. Não é
possível imaginar um time vencedor sem meio de campo. Os dois
laterais subiam sem proteção. O David Luiz não compreendia sua
função de zagueiro. O Luiz Gustavo jogava como terceiro zagueiro e
o Oscar, o Neymar, o Hulk e o Fred acreditaram na lenda de que quem
tem de marcar é o adversário do Brasil, não eles.
Resumindo:
era time que atacava sem consequência e não se recompunha quando da
perda da bola.
A
derrota era iminente.
Escapou
por pouco contra o Chile. O segundo tempo deu pena. O Chile fez o que
quis. Escapou com uma bola no travessão no último minuto.
Contra
a Colômbia, não sei se por obra do acaso, o Neymar veio jogar no
primeiro tempo como meia, chamando o jogo e proporcionando espaços
para atacar com o controle da posse de bola.
Mesmo
jogando seu melhor futebol, ainda foi com uma cobrança de escanteio
que saiu o primeiro gol.
Foi
o jogo onde fiquei em dúvidas sobre minha capacidade de compreender
e analisar um jogo de futebol. Ouvir de comentaristas e de
ex-jogadores que o Hulk voltava para auxiliar o meio de campo,
desculpe o termo, mas foi de lascar.
Quando
o Neymar volta do intervalo e volta a jogar avançado, foi outro
“Deus nos acuda”, salvo por um improvável gol de falta.
Não
sei quando se acabará com esse chavão de que time com três
zagueiros é defensivo e time com quatro atacantes é ofensivo. Isso
é uma loucura.
Outro
fator decisivo para a enfiada de sete foi a empáfia. Não estudar a
forma de jogar do adversário é um absurdo. A Alemanha mostrou-se,
desde o início da copa, um time compacto e organizado, com alguns
muito bons jogadores. Desconhecer o potencial alemão foi erro fatal.
Outro
problema é o treinador pousar de babaca na beira de campo
gesticulando. Essa é uma hora de ação. Ou muda o time ou manda
alguém cair para reorganizar, pois as leis do futebol de campo não
permitem uma pedida de tempo.
Mas
ele não entendia o que ocorria. Acreditava que o time estava bem.
Enfim,
uma copa sem grandes surpresas, exceto Espanha e Itália voltarem
cedo para casa. Ganhou o melhor time. Ganhou o time que valoriza o
jogo. Ganhou o time mais organizado. Ganhou o time que começou
errado e se consertou, com o Lahn escalado de volante, corrigido a
partir do jogo travado e pela grita da torcida.
A
Argentina,
mesmo inferior, mostrou a importância de um time bem organizado a
partir da defesa, podendo ter ganho se tivesse um pouco mais de
capricho.
PS:
escrito logo após a final da copa
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por contribuir com seu comentário. O mesmo será liberado após a moderação.