quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Uma pitada de futebol I

Uma pitada de futebol I

Hoje vejo serenidade na montagem do time. Arrotar grandeza nunca fez um time ser grande.
A grandeza histórica, nos moldes capitalistas, resulta de trabalho, resultados e história.
Lembro de quando caímos pela primeira vez para a série C. Tínhamos no ataque Artuzinho e Edmar, ex-seleção. Mas com atrasos nos pagamentos.
Prefiro um trabalho construído aos poucos, mas com planejamento e serenidade.
Um time só coloca em campo onze jogadores. Porque se contrataria trinta jogadores para o início de temporada?
Deveríamos contratar uma base para lapidarmos a partir dela, utilizando jogadores da base. Mas surge o primeiro problema: não temos bons jogadores na base.
Não posso culpar a atual diretoria com exclusividade. Mas também não posso absolvê-la. Afinal, já são passados dois anos dessa gestão.
Optaram por uma reformulação/renovação nas categorias de base. Erraram. Não tenho informações suficientes para discutir. Apenas sei que os resultados não foram satisfatórios. Cabe a discussão dos motivos à diretoria, bem como sua publicização.
Estou confiante de que construiremos uma boa base, mas é um trabalho que apresentará resultados em dois ou três anos.
Com relação aos profissionais, não creio que haverá alguma contratação que se imporá pelo individual. Creio que o treinador prefere que o destaque seja o coletivo. Também acredito que seja o pensamento do César Sampaio, gerente de futebol. Também aposto nesta visão.
Temos uma torcida impaciente e que é literalmente incendiada por uma imprensa ávida por manchetes. Mas futebol não se faz com manchetes. Houve uma grande mudança no futebol profissional, e muitos não se deram conta.
Os grandes clubes tornaram-se nacionais e de massa nas décadas 1950 e 1960. Era um outro Brasil. Eram outras leis. Eram outras tecnologias. Ouvia-se futebol pelo rádio. Era a época do “passe” do atleta que pertencia ao clube.
Quem não se atentar a isso quebrará. Dívidas imensas nos grandes clubes.
Hoje temos contratos com direitos e obrigações. Hoje temos empresários para meninos com dezesseis anos, que ainda jogam na base e alimentando esperanças de fuga da miséria para a família via futebol.
Temos um monopólio nas transmissões pela TV pela rede globo, onde o futebol é apenas um negócio.
Temos futebol sendo transmitido do mundo inteiro e mais uma grande diversidade de esportes.
Hoje temos uma violência nos grandes centros urbanos e a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios.
Há uma pressão latente, exacerbada na última campanha eleitoral tricolor que dificulta a racionalização da torcida do Fortaleza. Nem viram o time jogar e só falam em contratar.
Não há uma compreensão do mercado. Nem todo jogador se mostra disposto a vir jogar aqui por não acreditar que seja um bom negócio jogar a série C.
Muitos ainda creem numa maior valorização se disputar o campeonato paulista.
Ano passado, Dudu Cearense estava esquecido pelos grandes times e reapareceu por aqui. Jean Mota despercebido em São Paulo também brilhou no Leão e hoje está no Santos.
Fortaleza é a quinta capital do País, mas o Leão tem um número de sócios torcedores ridículos, o que não nos capacita para maiores voos.

 Não se faz futebol apenas com boa vontade, na base do coração. É necessário planejamento, organização e trabalho.

Fortaleza 08/01/2017

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