domingo, 14 de setembro de 2014

CRB 3 X 0 Fortaleza

CRB 3 X 0 Fortaleza
Atiçou uma ponta de desconfiança com nosso treinador.
Só tenho elogios a seu trabalho desde o começo do ano.
Tem apresentado um trabalho constante e sereno. Unindo o elenco em busca de um objetivo.
Mas está insistindo numa tentativa que me preocupa. A mesma dificuldade que o Felipão apresentou à frente da seleção na última copa do mundo.
Um time com três atacantes não é sinônimo de time ofensivo.
O Marcelinho Paraíba não pode ser considerado meio de campo no conceito tradicional. Tem de ser considerado como “meia” atacante.
O Leão joga com dois volantes, um meia que volta para recompor e um meia, que é mais um atacante, e dois atacantes.
No último jogo contra o CRB, começamos bem. Com volume, paciência e toque, que incomodava o CRB.
Uma falha de nosso time praticamente desmanchou o planejamento.
Falha ao atrasar a bola para o goleiro, que gerou uma falta dentro da área, a expulsão, o penalty e o gol.
Estávamos bem no jogo.
Pensei comigo. Tira-se o Waldison e vamos tocando pacientemente a bola na tentativa de envolver o CRB e aplacar sua vontade.
Mas o que faz nosso treinador. Tira o Eric Flores para a entrada do Ricardo e fica um rombo no meio de campo.
Era visível o "buraco" no meio, com apenas o Guto e o Correa na marcação, sem que os laterais subissem com convicção, que ficaram limitados pelo posicionamento e vantagem numérica do CRB.
Foram constantes os chutes a meia distância do CRB, sempre levando perigo. Não tomamos de mais no primeiro tempo por pura sorte.
Acreditei que fosse feita a correção no intervalo. Que nada, voltamos da mesma forma e levamos um gol logo no início do segundo tempo.
Tanto o basquete quanto o vôlei trazem ensinamentos que deveriam ser aprendidos pelo futebol. Ganha-se o jogo com o posicionamento defensivo e a retomada de bola, e não pela presença ofensiva de forma quantitativa. A colocação de muitos atacantes deve ser apenas nas condições de desespero, na tentativa de tudo ou nada.
Sei que é complicado o momento na beira do campo, mas é no momento anterior à partida onde o treinador se prepara e imagina as alternativas, e isso é uma questão filosófica.
Estava assistindo o jogo e na hora imaginei: sai o Waldison e entra o Ricardo. Mantemos o meio de campo, continuamos com o toque de bola e avançamos um pouco mais o Paraíba. Tentaríamos manter a posse de bola com o sacrifício do ataque.
Duas mudanças planejadas para o segundo tempo. O Walfrido poderia entrar a partir dos 15 minutos no lugar do Paraíba, que provavelmente estaria exausto e, dependendo das condições do Ricardo, o Uillian entraria no lugar do Eric nos últimos 15 minutos.
Não ocorreu e é muito fácil criticar hoje, mas é o que teria feito.
O que me deixa preocupado é ir com essa mentalidade equivocada de quantidade de atacante parecer fazer o time ser ofensivo, quando na verdade é uma entrega do meio de campo ao adversário, com consequências perigosas num jogo de mata-mata.
Só um exemplo: se a partida de domingo passado fosse a primeira do mata-mata. Estaríamos mortos. Novamente.



Jeri, 12/julho/2014

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