Era
minha intenção inaugurar o blog com uma postagem sobre o
aniversário de Fortaleza, mas não tive ânimo para escrever.
Sábado, dia 14, comemorou-se mais um aniversário de minha cidade.
Uma
data complicada, pois é resultado de uma lei.
Fortaleza
tem uma origem confusa. Foi construída pelos holandeses, destruída
pelos índios e reconstruída pelos portugueses. Com dificuldades de
conviver com os ataques indígenas, a capitania do Ceará tem sua
capital transferida para Aquiraz, sendo Fortaleza novamente capital
por pressão dos moradores locais, tendo em vista possuir uma
população e uma atividade econômica muito superior à Vila de
Aquiraz.
Para
mim é complicado ver o Ceará ser dirigido pelos Ferreira Gomes,
depois de passarmos pelos governos Tasso.
Dói
mais ainda ver Fortaleza governada por alguém colocado prefeito
pelos Ferreira Gomes.
Mas
fazer o que? Após
as incompetentes administrações PTistas da Luiziane. Não posso
culpar a população de Fortaleza por
isso.
Houve
uma comemoração insípida, inodora e incolor no aterro da praia de
Iracema. Claro que não me senti compelido a ir. Não por culpa dos
artistas, afinal, o show principal foi com Milton Nascimento.
A
festa começou errada pela escolha do lugar. A bela praia de Iracema
é para turista ver. O local indicado seria a Praça
do Ferreira, no centro da cidade, com grande participação popular.
Mas
a elite branca não gosta do centro. Prefere os shoppings.
Teriam
também de "limpar" o centro, hoje com muita sujeira e em
meio a moradores de rua, que dormem pelas calçadas.
Ontem
estava naquele bate-papo regado a cerveja com meu grande amigo-irmão
Maurição e relembrando fatos da Fortaleza que conheci na infância.
Lembrando
dos primeiros carnavais, que assisti na Heráclito Graça. Na época
meus pais moravam na rua
João Cordeiro. Lembrei
dos ônibus elétricos (amarelos) que iam do centro até
Praça
do Otávio Bonfim. Lembrei do "balão" ou rotatória da
reitoria, da fábrica Fortaleza, da Praça
José de Alencar, onde "pegava" o ônibus para o Henrique
Jorge, onde passei a morar a partir de 1973.
Lembrando
do Mercantil São José, da Mesbla, do Roncy, dos cabarés de então,
dos shows do Quinteto Agreste, que ia assistir na Praça
do Ferreira na
adolescência.
Hoje
tem supermercado em cada bairro, mas nos meus tempos de criança eram
as bodegas (do "seu Chico”
vivo até hoje) e mercearias, com direito a anotação na caderneta.
Lembro que ia com minha mãe fazer a feira no Mercado dos Pinhões.
Lembro
quando Fortaleza acabava na Aerolândia e no Antônio Bezerra. A
Parangaba era no final do mundo. Lembro de acordar "de
madrugada" para "pegar" o ônibus para Jaguaretama no
centro, na agência do Expresso Ouro Verde, pois não havia
rodoviária.
Lembro
da construção do Conjunto Ceará, que proporcionou o
incremento numa das
principais características de Fortaleza: - ser terra de imigrantes.
-
Sou filho de pai originário do Barro e de mãe originária de
Jaguaretama. Municípios do interior do Ceará.
Durante
as décadas 60 e 70, mais da metade dos nascidos em Fortaleza
compartilhavam desta característica. Eram filhos de famílias do
interior. Hoje quase todos são filhos de fortalezenses
Sem
rigor científico, digo que a Fortaleza dos fortalezenses
localizava-se na Barra do Ceará, na
Jacarecanga, no Mucuripe
e adjacências. Eram
locais originalmente de
pescadores.
Lembro
que a Av. João Pessoa era de placas de concreto, e não de asfalto.
Lembro que o Henrique Jorge era longe "pra danar". Lembro
de meu primeiro jogo que assisti no PV, em 1973. Feliz com a vitória
do Leão sobre o tigre. Lembro de
minha primeira comemoração por um
campeonato no Castelão (4 X 0 sobre o ceará em 1974).
Lembro
de nunca conseguir pegar o ônibus que me levaria ao centro de
treinamento do BNB e sempre pegar o de linha normal Castelão (irmãos
Bezerra). Sempre acompanhado pelos amigos (preguiçosos também -
claro) Reginaldo e Carlão.
Época
de construção da Av. Dedé Brasil.
Lembro
de minha primeira vez, com uma "mulher da vida", na chamada
“cinzas” ou “oitão preto”, por trás da estação
ferroviária. Se fui louco ou tive sorte, não sei. Sei que estou
vivo e com saúde até hoje. Estudava no Colégio Rui Barbosa.
Nasci,
cresci e me tornei gente nesta cidade (eu pelo menos acredito ser
gente). Nunca gostei muito de frequentar a parte rica e branca de
Fortaleza. Vivi e cresci numa Fortaleza diferente. Mestiça e pobre,
mas verdadeira e alegre.
Saí
algumas vezes para trabalhar longe, mas não consigo viver afastado
desta minha terra. Campo Maior-PI, Limoeiro do Norte-CE,
Jaguaretama-CE, Marabá e Tucuruí no PA. Quero bem a cada lugar que
me acolheu. Vivi feliz e fiz amigos em cada uma delas, mas Fortaleza
sempre falou forte.
Hoje
trabalho na paz de Jericoacoara, mas venho matar a saudade dos
congestionamentos, barulhos e confusões na minha bela "loura
desposada do sol".
Mesmo
com a "sorte" de trabalhar num banco federal desde os 15
anos, optei por continuar a viver onde cresci. O Henrique Jorge
continua a ser um bairro classe média baixa e de periferia,
abandonado pelas administrações públicas. Moro por aqui desde
1973. Dei algumas escapadas, mas firme e forte no "Jiquejorge"
Mas
sou feliz. Vou aos botecos sem medo. Adoro o Benfica, principalmente
o bar do Assis. O Raimundo dos Queijos é um barato. Desfilo com o
Maracatu Solar durante o carnaval e curto cada oportunidade que minha
cidade proporciona.
Depois
de ir morar em Jeri, tem me faltado vontade de frequentar a orla
marítima de Fortaleza.
Quem
conhece Jeri há de me dar razão.
Sou
feliz, principalmente porque tenho uma imensidão de amigos, a quem
dedico este singelo texto.
Beijos
e abraços a todos
Pinheirão, excelente. Manda essas músicas em MP3 pra mim.
ResponderExcluirPinheirão, esse "outros babados" está muito delicado.
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