Há
bom tempo que não me disponha a escrever.
A
não classificação e as eleições em seu segundo turno me fizeram
dispersar, além de outros problemas particulares também.
Com
relação a classificação, creio que dois fatores foram
fundamentais.
O
primeiro é inerente ao futebol e é um dos encantamentos do próprio
futebol. A incerteza da vitória.
O
segundo creio ter sido a incompreensão de nosso treinador Marcelo
Chamusca da necessidade de alterar a forma de jogar, pela ausência
de um jogador fundamental.
Não
pretendo deslustrar o trabalho de nosso treinador, que fez um belo
trabalho em 2014.
Em
análises anteriores já falei sobre o esquema que se adequou bem ao
elenco.
Grosso
modo, o Leão jogava com dois zagueiros fixos, dois laterais
ofensivos, um volante mais centralizado e outro mais livre. Um meia
com toda liberdade e o outro pela direita, voltando na cobertura,
marcando o meio de campo adversário e o lateral esquerdo. Jogava
também
com um centroavante e o outro atacante atuando pela esquerda,
voltando também
na marcação.
O
time não sentia mudanças exceto quando Edinho ou Waldison
tinham de ser substituídos. Eles desempenhavam um papel fundamental
e não tinham substitutos. Sempre que um deles não pode jogar o Leão
sentiu.
E
sentiu porque, apesar de todo acerto de nosso treinador, ele nunca
deu o braço a torcer e mudou a forma do time jogar. E não
é apenas
mudar
na última
semana, mas
treinar a mudança com regularidade, para enfrentar a necessidade.
Apesar
da boa música, o Leão foi um time de uma nota só.
Assim
via as
características dos jogadores:
Exceto
o Radar, que não tinha a mesma condição técnica do Fernandinho,
o outro
jogador da lateral
esquerda,
qualquer jogador da defesa poderia ser substituído sem causar danos
ou comprometer o esquema tático.
O
Guto apresentava a característica de ser um volante centralizado,
que quando avançava, o fazia pelo centro.
O
Walfrido jogava como segundo volante pela esquerda, enquanto o Correa
podia jogar como segundo volante pela direita. O Correa também
jogava como volante centralizado se fosse necessário. O Walfrido
tinha dificuldades.
Qualquer
combinação entre eles funcionaria, sendo possível sem comprometer
o sistema. Seria necessário apenas reposicionamento dos laterais
tendo em vista a preferência de atuação do segundo volante.
O
Edinho jogava pela meia direita, ocupando um espaço e dialogando com
o lateral. Voltava e era importante na recomposição defensiva.
O
Waldison fazia papel semelhante pela esquerda, apesar de ser bom
centroavante.
Ambos
voltavam para fechar o lado do campo e tinham a velocidade e
habilidade como características.
O
Robert jogava centralizado e o Paraíba flutuava na intermediária.
O
grande erro do Chamusca foi não perceber as peculiaridades do
Waldison
e Edinho e não perceber as importâncias deles no esquema de jogo,
além
de
acreditar que os substitutos cumpririam os mesmos papéis, com as
mesmas eficiências.
O
Leão não tinha substitutos com as mesmas características. Na
impossibilidade de não jogar um deles, seria necessário mexer na
forma de jogar e que a mesma tivesse sido treinada anteriormente.
Seria necessário se mudar a concepção de jogo.
O
Fortaleza disputou a final do cearense sem o Waldison e o mata-mata
da terceirona sem o Edinho. Em ambos os confrontos perdemos sem
perder. Perdemos porque não tivemos força ofensiva.
Sem
querer ser engenheiro de obra acabada pergunto:
mas será que o mesmo esquema, mas com jogadores diferentes, tem a
mesma chance de dar certo? Ou a mesma chance de dar errado?
Eric
Flores ou Welington Bruno seriam os substitutos ideais para o Edinho
contra o Macaé?
Tanto
no caso do Edinho, contra o Macaé, quanto o Waldison, contra o
ceará, creio que a melhor alternativa seria a mudança no esquema,
afinal era decisão, e não um jogo qualquer.
As
características do Adalberto permitiriam que o mesmo jogasse
como terceiro zagueiro quando o Guto e o Correa jogassem. O Eduardo
Luís poderia fazer o mesmo papel pela direita quando o Walfrido
jogasse como volante.
Mas
contra o Macaé, nos dois jogos, jogaria com Guto, Correa e Walfrido
compondo o meio de campo, e
mais o
Paraíba, com os dois laterais ofensivos simultaneamente e o Waldison
alternando o lado do campo.
Já
defendi essa tese em postagens passadas.
Nunca
com Wellington Bruno ou Ricardo Oliveira na tentativa de fazer o
mesmo papel do Edinho. Jogadores diferentes ... Características
diferentes.
É
fácil
de se perceber a falácia de jogo ofensivo a partir a utilização de
três atacantes. Apesar de teoricamente ser
ofensivo,
nos dois jogos o Leão não conseguiu colocar o Macaé sob pressão.
Nada
garante que com outra escalação seria outro o resultado.
Apesar
de não termos sidos brilhantes, perdemos a classificação como
resultado de uma falha de nosso goleiro. Em 2013 deixamos de nos
classificar com um gol improvável nos últimos minutos.
Final
do jogo em 2014, chute do Waldison na pequena área, goleiro
adversário caído, bola bate no zagueiro e cai por trás do gol.
Fazer
o quê? Tentar sempre.
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