Sugestão para uma reforma político-partidária
Já fazia algum tempo que
não comentava nada no blog.
Depois de toda aquela
confusão de junho e do aproveitamento da mídia tentando canalizar a
insatisfação apenas contra o governo Dilma, do PT, vejo agora a
tentativa de mostrar que estamos no caos. Que estamos muito pior que
Europa e EUA. Mas a culpa é do PT e do governo, que sustenta isso.
O Partido dos
Trabalhadores já não é mais o mesmo, mas, ainda assim, é a melhor
opção dado o que hoje está colocado.
A presidenta deveria ter
sido mais incisiva e poderia ter aproveitado a ocasião para cutucar
o congresso e, principalmente, os políticos que foram
verdadeiramente o alvo principal das manifestações.
Tenho certeza de que a
presidenta teria todo apoio popular se apresentasse, através do PT,
uma proposta de reforma política para valer.
Segue a seguir uma
singela contribuição. Não em forma de lei pois isso é papel de
advogados e deputados, mas de ideias gerais que precisam ser
buriladas.
Vi hoje que a OAB
estaria colhendo assinatura para um projeto de lei. Não sei como
seria recebida minha sugestão, mas fica a dica.
Só não creio saudável
que pessoas que teriam interesses pessoais contrariados sejam os
responsáveis para elaborar e votar as leis que não seriam
interessantes para eles.
Minha sugestão:
1) O
voto é um direito, sendo assim exercido de modo facultativo, não
sendo permitida
a exigência de comprovação de votação em nenhuma situação,
excetuando-se as questões penais ou
cíveis porventura necessárias.
Parte
da esquerda vai me esganar,
pois ainda acreditam na incapacidade de escolha do povo e têm medo
do povo exercer seu direito plenamente. Com o voto obrigatório se
elegeu Collor e FHC. Se o povo não se acha representado pelos
políticos, que seja baixíssimo o índice de comparecimento para
expressar a falta de confiança.
2) O
Brasil contaria
com o sistema unicameral, sendo entendido como desnecessário o
funcionamento do Senado Federal como porta-voz dos Estados, ficando a
Câmara Federal como porta-voz único do
povo brasileiro.
Não
vejo sentido para a existência do senado federal. Só faria sentido
se
fosse para legislar sobre assuntos federativos. De
interesses exclusivo dos estados. Não
faz sentido estados terem uma população infinitamente maior que
outros e ficarem nas mãos de senadores eleitos sem a menor
representatividade. Legislando
sobre todos os assuntos e funcionando
como revisor da
câmara.
Não faz sentido. Que haja senado para legislar sobre leis que tratem
dos assuntos federativos. Leis comuns e emendas a constituição
deveriam ser atribuições exclusivas da câmara, que representa o
povo em geral. Muitos
políticos
desejarão minha morte.
3)
Os eleitos, em todos cargos, terão mandato de quatro anos, exceção
aos casos previstos nesta lei.
Acredito
que quatro anos seja suficiente para alguém que realmente tenha
interesses coletivos possa fazer seu trabalho.
4) As
eleições ocorrerão alternadamente com eleições conjuntas para
prefeitos, vereadores, governadores e deputados estaduais numa
eleição e presidente e deputados federais em outra. As eleições
locais serão desvinculadas das eleições gerais.
Acredito
importante desvincular eleições locais de eleições nacionais.
Temas diferentes não se misturariam e seria mais claro para os
eleitores.
5)
Os eleitores de todos os Estados terão um “peso” equivalente,
sendo as bancadas dos Estados definidas com base em seus números de
eleitores, passando a câmara de deputados a ser composta por 600
parlamentares ou outro número mais razoável.
Seria
interessante que cada eleitor tivesse um mesmo peso eleitoral. Não
sendo possível, não mais que 50% de diferença entre o de maior
valor para o de menor valor. A conta seria feita dividindo-se a
quantidade de eleitores pelo número de vagas. O número de vagas na
câmara seria decidido no ano anterior às eleições em função do
nº de eleitores de cada estado.
6) Os
Estados e Municípios também teriam
suas bancadas legislativas definidas
em função de um número base, que seria
obtido a partir do número de vagas na
Câmara Federal (valor ou peso do eleitor numa média ponderada).
Os
municípios com número de eleitores inferior a 20 mil eleitores
terão suas câmaras municipais compostas por 07 vereadores não
remunerados.
Os
municípios com número de eleitores inferior a 50 mil e superior a
20 mil eleitores terão suas câmaras compostas por 11 vereadores não
remunerados.
Os
municípios com número de eleitores inferior a 100 mil e superior a
50 mil eleitores terão suas câmaras compostas por 15 vereadores não
remunerados.
Os
municípios com mais de 100 mil eleitores teriam vereadores
compatíveis com o nº de deputados estaduais (valor ou peso
eleitoral do eleitor).
Os
políticos em geral nem irão ao meu enterro.
7) O
Brasil adotará o sistema presidencialista para os diversos níveis
de poder executivo.
8)
O Brasil adotará o sistema proporcional de votos para os diversos
níveis de parlamento.
9) Como
reconhecimento da importância dos partidos políticos, serão
terminantemente proibidas as coligações para as disputas das
eleições proporcionais em quaisquer níveis, ficando permitida as
coligações para as disputas majoritárias.
O
que diferencia os partidos são suas posturas ideológicas. Não faz
sentido partido com diferenças ideológicas se juntarem para eleger
uma bancada comum.
10) Não
serão permitidas, sob quaisquer formas ou modalidades, doações de
empresas ou de pessoas jurídicas para candidatos ou partidos
políticos.
Empresa
não tem ideologia. Tem interesses. Quem sonha e tem ideologia são
pessoas.
11)
Não serão permitidas, sob qualquer forma ou modalidade, doações,
incentivos, renúncias ou quaisquer outras formas de repasse de
dinheiro público para os partidos políticos e/ou candidatos.
Quem
quiser construir um partido que batalhe e consiga convencer os
militantes a contribuírem para a construção e
manutenção do
partido. Político profissional que vive à custa de fundos
partidários teria de arranjar o que fazer. Creio
que quem não irá ao meu enterro serão
os políticos de “esquerda”.
12) Não
serão computados, para efeito de cálculo previdenciário, quaisquer
valores recebidos por autoridade investida na função pública como
resultado de decisão das urnas (presidente, governadores, prefeitos
e parlamentares) para o cálculo de valores e/ou contribuições
previdenciárias.
Político
não é profissão.
Ainda
bem que só posso morrer esganado uma vez.
13) Não
serão permitidas reeleições para um terceiro mandato consecutivo
em nenhuma hipótese e para nenhum cargo eletivo, inclusive do
legislativo.
Acredito
que nem à missa de sétimo dia os políticos irão.
14) Para
as eleições de 2014 os mandatos dos governadores e deputados
estaduais eleitos
serão de seis anos, sem direito a reeleição, com
o objetivo de adequar o calendário eleitoral.
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